A Serra do Amolar, um recanto de resistência incrustado na porção mais remota do Pantanal sul-mato-grossense, é um lugar onde o acesso não se mede em quilômetros, mas em horas de navegação. Sem estradas, o rio é a principal via para quem vive e trabalha nessa fronteira aquática. É nesse cenário que a família da pescadora profissional Edilaine Nogales de Arruda enfrentava, até recentemente, uma barreira ainda mais intransponível que a própria distância: a burocracia.
A dificuldade em se deslocar até Corumbá, o município mais próximo, tornava quase impossível a emissão de documentos cruciais para acessar políticas públicas e linhas de crédito. “Como nós somos ribeirinhos, temos o privilégio de sermos pescadores profissionais. Sou filiada a uma colônia, e por meio dela me orientaram sobre o CAF (Cadastro da Agricultura Familiar). Para termos a possibilidade de investimento, melhorar os equipamentos de pesca, motor e ter os benefícios”, explica Edilaine, ressaltando a urgência de modernizar seus meios de subsistência.
A virada para a família Arruda e outros moradores da região veio em 2025, quando a Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural) uniu forças à 10ª Expedição Pantanal, organizada pela Polícia Militar Ambiental (PMA). Naquela ocasião, o extensionista Isaque Pécora de Andrade dedicou vários dias à missão embarcada, retornando com 45 novos Cadastros da Agricultura Familiar (CAFs) em sua bagagem, um salto significativo para a inclusão produtiva na área.
Para Edilaine, esse acesso desburocratizado abriu as portas para o financiamento, via Pronaf B, de um motor novo para o barco da família. A melhoria foi imediata e transformadora. “Antes da melhoria, o pescado muitas vezes não passava da porta de casa. A venda dependia de quem chegasse. Agora conseguimos transportar o nosso produto. Só nos trouxe melhoria”, celebra a pescadora, que agora pode levar sua produção diretamente aos mercados, ampliando seu alcance e sua renda.
Mas os benefícios foram além da comercialização. O novo motor encurtou drasticamente o tempo de viagem. O percurso até Corumbá, que antes consumia um dia inteiro, agora se encaixa em poucas horas, expandindo o mundo da família e oferecendo mais segurança. “Melhorou muito a nossa logística. Agora, em caso de uma emergência, consigo chegar mais rápido com minha família até a cidade”, afirma Edilaine. Não é apenas sobre velocidade; é sobre autonomia, sobre ter a escolha de ir, de vender e de decidir o próprio futuro, transformando o rio de obstáculo em um caminho de oportunidades.
A presença da Agraer na expedição não se limitou a levar soluções prontas, mas sim a garantir o acesso a direitos fundamentais. Em territórios como a Serra do Amolar, onde as políticas públicas não chegam por inércia, é preciso planejamento, parcerias estratégicas e uma disposição real para atravessar distâncias. A história de Edilaine, no fim das contas, transcende a aquisição de um motor; ela é sobre o que esse motor move: dignidade, renda e a possibilidade de permanecer em sua terra por escolha, não por falta de opção. A Agraer, presente em todos os municípios de Mato Grosso do Sul, reafirma seu compromisso de fortalecer o campo e aproximar o futuro, mesmo nos corações mais distantes do Pantanal.


