O PSDB de Mato Grosso do Sul, que enfrentou um período de profunda crise e esvaziamento após a saída de importantes lideranças e de todos os seus deputados federais eleitos em 2022, busca agora a reestruturação e a reconquista de espaço nas eleições legislativas de outubro de 2026. Com uma meta considerada modesta, mas estratégica – eleger ao menos um representante –, o partido aposta em uma chapa equilibrada de pré-candidatos e nas novas regras da legislação eleitoral para reverter o cenário de fragilidade.
A debandada ocorreu após a eleição de 2022, quando os líderes Eduardo Riedel e Reinaldo Azambuja deixaram a sigla, seguidos pelos três deputados federais então eleitos pelo partido: Beto Pereira, Dagoberto Nogueira e Geraldo Resende. Diante do risco de extinção, os deputados e vereadores que permaneceram no PSDB se organizaram para manter a legenda viva e iniciaram um trabalho de articulação para montar uma chapa competitiva, visando as cadeiras em disputa no próximo pleito.
Um fator crucial para as ambições do PSDB é a recente mudança na legislação eleitoral. Anteriormente, para disputar as chamadas ‘sobras’ de votos – cadeiras remanescentes após a distribuição pelo quociente eleitoral –, um partido precisava atingir no mínimo 80% do quociente, o que representava cerca de 140 mil votos. A nova regra flexibiliza essa exigência, eliminando o mínimo de 80% para o partido, desde que o candidato mais votado da legenda alcance 20% do quociente eleitoral, equivalente a aproximadamente 35 mil votos. Essa alteração abre caminho para siglas com menos votos totais, mas com candidatos fortes individualmente, facilitando a eleição de um parlamentar.
Com essa nova configuração e a busca por igualdade de condições entre os postulantes, o PSDB conseguiu atrair um número significativo de interessados, formando o que o partido chama de chapa com ‘cabeça e cauda’, onde a maioria dos pré-candidatos possui bom potencial de votos. A lista inclui figuras conhecidas e com base eleitoral consolidada em diversas regiões do estado.
Entre os nomes masculinos que despontam estão o vereador Professor Juari, primeiro suplente do PSDB para a Câmara Federal em 2022, com 20.634 votos; Leonardo Arruda, vice-prefeito de Rio Brilhante; João Carlos Kruger, ex-prefeito de Chapadão do Sul; Diogo Bossay, suplente do MDB na Assembleia Legislativa de MS (agora no PSDB); e Natalino Gonzaga, ex-secretário de Governo de Sidrolândia.
No cenário feminino, a chapa conta com a ex-secretária de Cidadania do Estado, Viviane Luiza; Bia Cavassa, vice-prefeita de Corumbá e ex-deputada federal; Liandra da Saúde, presidente da Câmara de Dourados; e Paula Campos, primeira-dama de Ponta Porã. A diversidade de perfis e a experiência política desses nomes reforçam a estratégia do PSDB para reconstruir sua força no cenário político sul-mato-grossense e assegurar sua representação parlamentar em 2026.


