O deputado federal Marcos Pollon (PL) enfrenta um cenário de possível afastamento de suas funções parlamentares, com representações tramitando no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. Caso a suspensão se concretize por um período mínimo de 120 dias, a primeira suplente do Partido Liberal, Luana Ruiz, com 24.176 votos na última eleição, será convocada para assumir a cadeira.
As acusações contra Pollon são duplas. O deputado Moses Rodrigues, relator de um dos processos, defende uma punição de dois meses por obstrução da mesa diretora, impedindo o acesso do presidente Hugo Motta (Republicanos-PB). A mesma medida é sugerida para os deputados Marcel van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC), envolvidos no mesmo incidente. Adicionalmente, o relator Ricardo Maia propôs um afastamento de três meses para Pollon por um discurso considerado ofensivo contra Hugo Motta, proferido durante uma agenda na Capital, totalizando uma possível suspensão de cinco meses.
No polêmico discurso, Pollon declarou: “A anistia está na conta da p… do Hugo Motta. Nós queremos colocar o povo para enfrentar o Alexandre de Moraes, mas nós não podemos peitar o bosta do Hugo Motta, um baixinho de 1,60m”. Em seu voto, o relator Ricardo Maia enfatizou a necessidade de uma “reprimenda severa” por parte da Casa, para deixar claro que o Parlamento “não tolera o cometimento de infrações dessa natureza”, reforçando a gravidade das condutas.
O Conselho de Ética julgará as duas representações. Se condenado, Pollon terá direito a recurso junto à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Após votação na CCJ, o caso será encaminhado ao plenário da Câmara, onde o deputado precisará angariar 257 dos 513 votos para evitar o afastamento. A concretização da medida abriria um precedente, similar ao ocorrido recentemente com Heloísa Helena (PSOL), que assumiu a vaga de Glauber Rocha após seu afastamento pelo conselho de ética e plenário.


