O Advogado-Geral da União (AGU), Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu nesta quarta-feira, 29 de abril de 2026, que a Corte máxima do país deve se manter “aberta ao aperfeiçoamento”. Durante sua apresentação na sabatina da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Messias sublinhou que a credibilidade do STF é um “compromisso e uma necessidade” para a democracia brasileira.
Em sua fala, o AGU ressaltou que “em uma República, todo poder deve se sujeitar a regras e contenções” e que “a justiça não toma partido”. Evangélico, Messias também abordou a relação entre fé e Estado, afirmando que seus princípios cristãos o acompanham, mas que “é possível interpretar a Constituição com fé, e não pela fé” em um Estado laico. Ele destacou sua trajetória de vida, sem tradição hereditária na Justiça, mas construída por “estudo, trabalho e disciplina”.
A indicação de Messias, contudo, enfrenta resistência significativa. Lideranças da oposição, como o deputado federal Cabo Gilberto Silva (PL-PB), afirmaram ter trabalhado para barrar o nome no Senado. O Partido Liberal (PL), o Novo e o Avante já declararam voto contrário, com o senador Izalci Lucas (PL-DF) confirmando que o bloco Vanguarda, composto por 18 parlamentares do PL, rejeitará o indicado. Há acusações por parte da ala bolsonarista de que o Planalto estaria “comprando” apoios para garantir a aprovação.
Nos bastidores, senadores ouvidos pelo colunista Bruno Pinheiro, da Jovem Pan, preveem um placar apertado. Para ser aprovado para o STF, Jorge Messias precisa do aval da maioria absoluta do Senado, o que corresponde a um mínimo de 41 votos favoráveis. O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), tem atuado para angariar os apoios necessários, em uma votação que promete ser um termômetro da força política do governo no parlamento.


