O advogado-geral da União, Jorge Messias, recebeu a indicação para ocupar a vaga deixada por Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF). Messias, um dos homens de confiança do presidente Lula, torna-se o novo nome para a mais alta corte do país em 2026.
Sua figura ganhou notoriedade em 2016. Na ocasião, a então presidente Dilma Rousseff disse a Lula, em uma ligação gravada pela Polícia Federal (PF), que enviaria o “Bessias” para entregar um termo de posse “em caso de necessidade”. Messias atuava como subchefe para Assuntos Jurídicos da Presidência da República. Este setor é responsável pelo assessoramento direto da Presidência.
Naquele período, a Operação Lava Jato investigava Lula. Uma eventual posse como ministro de Dilma concederia foro privilegiado ao petista. O hoje presidente não assumiu um cargo no governo da sucessora. Ele chegou a ser preso em 2018, mas teve a condenação anulada posteriormente.
Perfil e Trajetória Profissional
Jorge Rodrigo Araújo Messias nasceu no Recife e tem 46 anos. Ele é procurador concursado da Fazenda Nacional desde 2007. Messias formou-se em direito pela Faculdade de Direito do Recife (UFPE). Também possui títulos de mestre e doutor em Desenvolvimento, Sociedade e Cooperação Internacional pela Universidade de Brasília (UnB).
A carreira de Messias no serviço público inclui passagens por diversas áreas. Ele foi subchefe de Análise e Acompanhamento de Políticas Governamentais da Casa Civil. Atuou como Secretário de Regulação e Supervisão do Ministério da Saúde. Serviu como Consultor Jurídico do Ministério da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação. Messias também trabalhou na Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e na Procuradoria do Banco Central.
Ele assumiu a Advocacia-Geral da União (AGU) em 1º de janeiro de 2023, no início do terceiro mandato de Lula. Três outros ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) já ocuparam o cargo de AGU: Gilmar Mendes, Dias Toffoli e André Mendonça.
Contexto Político e Religião
Casado e pai de dois filhos, Messias é evangélico e frequenta a Igreja Batista. A fé do indicado ao Supremo é vista no cenário político como um aceno de Lula. O presidente tem enfrentado dificuldades para conquistar popularidade entre o eleitorado evangélico.
Processo de Aprovação no Senado
Após a indicação formal do presidente da República, o escolhido precisa passar por uma sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Posteriormente, o plenário do Senado precisa aprová-lo. Na CCJ, basta maioria simples para aprovação. Já no plenário, a aprovação exige maioria absoluta, ou seja, ao menos 41 votos.
Nos bastidores, o candidato preferido dos senadores era Rodrigo Pacheco (PSD-MG), com apoio do presidente Davi Alcolumbre (União-AP). Congressistas próximos a Alcolumbre comunicaram ao colunista da Jovem Pan Bruno Pinheiro que uma indicação diferente poderia gerar “um grande atraso ou até mesmo ser rejeitada”.


