A Organização das Nações Unidas (ONU) revelou, nesta quarta-feira (29) de abril de 2026, que o Irã executou 21 pessoas e deteve mais de 4.000 por motivos políticos e de segurança nacional. As ações ocorreram desde 28 de fevereiro de 2026, quando o conflito no Oriente Médio se intensificou após ataques de Israel e Estados Unidos contra o território iraniano.
Detenções e Execuções Políticas
O Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos detalhou as execuções. “Pelo menos nove pessoas foram executadas em relação às manifestações de janeiro de 2026, dez por suposto pertencimento a grupos de oposição e duas por espionagem”, anunciou a agência.
Durante o mesmo período, mais de 4.000 indivíduos foram presos. As acusações relacionam-se à segurança nacional. A agência da ONU relatou o tratamento dos detidos. “Muitos detidos foram vítimas de desaparecimentos forçados, tortura ou outras formas de tratamento cruel, desumano e degradante, em particular confissões obtidas sob coação — às vezes televisionadas — e simulações de execução”, acrescentou.
Apelo do Alto Comissário Volker Türk
Volker Türk, o alto-comissário para os Direitos Humanos, expressou sua consternação. “Fico consternado ao constatar que, além das graves consequências do conflito, as autoridades continuam violando os direitos do povo iraniano de maneira brutal e implacável”, declarou Türk em comunicado. Ele fez um apelo urgente:
“Faço um apelo às autoridades para que suspendam todas as execuções, estabeleçam uma moratória sobre a pena de morte, garantam plenamente o respeito pelos direitos da defesa e pelo direito a um julgamento justo, e libertem imediatamente as pessoas detidas arbitrariamente”, insistiu.
Organizações não governamentais, incluindo a Anistia Internacional, indicam que o Irã é o segundo país que mais utiliza a pena capital globalmente, atrás apenas da China.
*AFP


