O Senado Federal realiza nesta quarta-feira (29) a sabatina do advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Embora a expectativa geral seja de aprovação, a sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) ocorre sob forte articulação da oposição para tentar barrar o nome do AGU, que pleiteia a cadeira deixada pelo ex-ministro Luis Roberto Barroso.
Movimentos da oposição, especialmente da ala bolsonarista, acusam o governo de “comprar” apoios para garantir a luz verde a Messias. O líder da oposição na Câmara dos Deputados, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), confirmou ao colunista Bruno Pinheiro, da Jovem Pan, ter trabalhado ativamente para convencer senadores a rejeitar a indicação. Na segunda-feira (27), o senador Izalci Lucas (PL-DF) já havia adiantado que o Partido Liberal votaria em bloco contra Messias. O Novo e o Avante também se posicionaram em oposição, indicando que o bloco Vanguarda, com seus 18 parlamentares, rejeitará o indicado por Lula.
Apesar da movimentação oposicionista, a aprovação de Messias para o STF exige o aval da maioria absoluta do Senado, ou seja, no mínimo 41 dos 81 senadores. Fontes ouvidas pela Jovem Pan apontam para um placar apertado, refletindo a polarização em torno da indicação.
Em contraste, o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), demonstrou otimismo na terça-feira (28), estimando que o Plenário do Senado aprovará Messias com ao menos 45 votos. Em um cenário considerado “otimista”, Rodrigues projeta que o AGU poderia angariar entre 48 e 49 apoios.
O relator do processo, senador Weverton Rocha (PDT-MA), já apresentou parecer favorável à indicação de Messias à CCJ. Em entrevista a jornalistas no dia 9 de abril, embora sem arriscar um placar, Rocha avaliou que o clima entre os colegas do Senado é propício à aprovação do advogado-geral.
A data da sabatina foi objeto de ajustes recentes. Inicialmente, o senador Weverton havia acertado o calendário com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), para esta quarta-feira. Houve um pedido em 15 de abril para adiantar a sessão para terça-feira devido à proximidade do feriado de 1º de maio, mas a CCJ posteriormente entendeu que a data não atrapalharia os trabalhos e manteve o agendamento original.
A indicação de Jorge Messias para a Suprema Corte foi feita pelo presidente Lula em 21 de novembro de 2025. No mês seguinte, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, adiou a sabatina, alegando que o governo federal ainda não havia enviado oficialmente a mensagem de indicação, documento que foi remetido dias depois.


