A Polícia Federal (PF) remeteu ao Supremo Tribunal Federal (STF) um inquérito que apura suspeitas de descaminho ou contrabando. A investigação centra-se em um voo particular ocorrido em 20 de abril de 2025, que transportou quatro parlamentares, incluindo o presidente da Câmara e um senador. O caso envolve o empresário Fernando Oliveira Lima, sócio de uma empresa de apostas online e alvo da CPI das Bets do Senado naquele período.
O voo partiu da ilha de Saint Martin, um paraíso fiscal no Caribe, e pousou no Aeroporto de Catarina, em São Roque (SP), utilizado para aviação executiva. A PF identificou a bordo o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o senador Ciro Nogueira (PP-PI), e os deputados Doutor Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL).
Origem da Investigação e Irregularidades
As suspeitas da PF surgiram de uma investigação sobre corrupção envolvendo o auditor fiscal Marco Canella. Canella foi indiciado em outro inquérito por facilitação de contrabando ou descaminho. No incidente do voo dos parlamentares, Canella permitiu que um funcionário do empresário Fernando Oliveira Lima desembarcasse e bypassasse o raio-X com sete volumes de bagagem. Câmeras de segurança registraram o procedimento irregular.
A PF suspeita que o conteúdo das bagagens pode ser ilegal. O voo provinha de um paraíso fiscal, e o histórico de Canella reforça as suspeitas. Embora os parlamentares tenham passado suas malas pelo raio-X, a PF não conseguiu determinar se as bagagens ilicitamente transportadas pertenciam a eles. Em relatório parcial, a corporação indicou a necessidade de enviar o caso ao STF devido ao possível envolvimento de figuras com foro privilegiado.
O despacho da PF detalha a justificativa para a remessa ao STF:
“Considerando que, caso as investigações tenham continuidade e indiquem que, além da conduta do Auditor Fiscal MARCO ANTÔNIO CANELLA, haja outras condutas ilícitas, bem como que uma das pessoas mencionadas no “item 9″ supra tenham envolvimento, os autos devem tramitar pela CINQ/CGRC/DICOR/PF, e o Processo junto ao Supremo Tribunal Federal, motivo pelo qual, salvo melhor juízo, entendo ser temerária a continuidade das investigações sem a apreciação de tal situação pelo Poder Judiciário.”
Repercussão e Silêncio dos Envolvidos
A informação foi inicialmente divulgada pela Folha de S.Paulo, e o Estadão teve acesso ao relatório da PF. A reportagem procurou os parlamentares e o empresário Fernando Oliveira Lima, mas nenhum se manifestou até o momento. O auditor Marco Canella também não se posicionou. O espaço segue aberto para futuras manifestações.
Fernando Oliveira Lima registrou fotos da viagem em suas redes sociais, mas as imagens não mostram os parlamentares. Casos de investigação envolvendo políticos no tribunal superior não são incomuns, como o Zema é alvo de investigação do STF ou quando o STF torna deputado réu.


