Um comando militar iraniano alertou, neste sábado (02/05/2026), para a probabilidade de uma retomada das hostilidades com os Estados Unidos. A declaração surge após críticas do presidente americano, Donald Trump, à mais recente proposta de Teerã para encerrar o conflito em curso.
As partes mantêm um cessar-fogo desde 8 de abril, após aproximadamente 40 dias de bombardeios por parte dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, e de represálias iranianas contra monarquias do Golfo aliadas de Washington. A pressão dos EUA sobre Cuba, por exemplo, demonstra a intensidade das relações diplomáticas e conflitos da atualidade.
Uma primeira rodada de diálogos diretos, realizada em Islamabad em 11 de abril, não resultou em avanços significativos. Divergências acentuadas sobre a soberania e o controle do Estreito de Ormuz, onde o Irã almeja cobrar pedágios pela passagem de navios, e sobre o programa nuclear iraniano persistem.
O Irã transmitiu, nesta semana, uma nova proposta de negociação através do Paquistão, que atua como mediador. Detalhes sobre o conteúdo da oferta não foram divulgados. Contudo, Donald Trump, informado por seu exército sobre as opções em consideração, expressou insatisfação. “Neste momento, não estou satisfeito com o que oferecem”, declarou Trump a jornalistas na sexta-feira (01/05/2026), atribuindo a estagnação dos diálogos à “tremenda discórdia” na liderança iraniana.
O inspetor-adjunto do comando militar central Jatam al Anbiya, Mohamad Jafar Asadi, citado pela agência iraniana Fars, afirmou neste sábado: “É provável que o conflito com os Estados Unidos seja retomado, e os fatos demonstram que os Estados Unidos não respeitam nenhuma promessa, nem acordo”. Asadi acrescentou que “as forças armadas estão perfeitamente preparadas diante de qualquer possível oportunismo ou ação imprudente por parte dos americanos”.
Teoricamente, Donald Trump tinha até sexta-feira (01/05/2026) para solicitar autorização do Congresso dos Estados Unidos para a continuidade da guerra, iniciada em 28 de fevereiro em conjunto com Israel. Em vez disso, ele notificou os líderes legislativos por carta que as hostilidades contra o Irã haviam “terminado”.
No entanto, congressistas democratas apontam que a presença contínua de forças americanas na região contradiz essa afirmação. Embora o porta-aviões USS Gerald Ford tenha deixado o Oriente Médio, 20 navios da Marinha americana, incluindo outros dois porta-aviões, permanecem na área.
A guerra resultou em milhares de mortos, majoritariamente no Irã e no Líbano, e suas repercussões continuam a impactar a economia global. Os preços do petróleo atingiram um pico de quatro anos esta semana, com o barril de Brent alcançando 126 dólares. O conflito regional persiste em outros focos, como no Líbano, onde Israel continua seus ataques contra o Hezbollah, apesar de uma trégua entre as partes. Washington, por sua vez, mantém um bloqueio naval aos portos iranianos em retaliação ao fechamento quase total do Estreito de Ormuz por Teerã antes da guerra.


