Um tribunal israelense autorizou neste domingo (3) a prorrogação por mais dois dias da detenção de Thiago Ávila, ativista brasileiro, e Saif Abu Keshek, ativista espanhol-palestino. Ambos foram detidos na madrugada de quinta-feira (30/04/2026) por forças israelenses em águas internacionais, em frente à costa da Grécia, enquanto integravam uma flotilha com mais de 50 embarcações que buscava levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza. As autoridades israelenses acusam os detidos de terem vínculos com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA), organização sancionada pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.
A flotilha, que partiu da Europa (França, Espanha e Itália), tinha como objetivo romper o bloqueio israelense ao território palestino. Segundo Israel, aproximadamente 175 ativistas foram detidos durante a interceptação. Ávila e Abu Keshek foram trasladados para Israel para interrogatório. Eles compareceram a um tribunal em Ashkelon, localizado a cerca de 60 km de Tel Aviv, onde a detenção foi estendida.
O Ministério das Relações Exteriores israelense declarou que a PCPA “age clandestinamente em nome” do grupo islamista palestino Hamas. Segundo o ministério, Abu Keshek é um membro proeminente da PCPA, enquanto Ávila é “suspeito de atividades ilegais” e vinculado à organização.
O Governo espanhol condenou a ação israelense, classificando-a como “sequestro”, e exigiu a libertação imediata de seus cidadãos. O ministério de Assuntos Exteriores da Espanha reiterou o pedido após a decisão judicial, com o cônsul espanhol em Tel Aviv acompanhando o comparecimento de Abu Keshek.
Advogados da organização de direitos humanos Adalah, que representam os detidos, relataram que Thiago Ávila sofreu “brutalidade extrema” durante a interceptação, descrevendo que ele foi “arrastado de bruços pelo chão e agredido tão brutalmente que perdeu os sentidos duas vezes”. Ávila também relatou ter ficado “isolado e com os olhos vendados” desde sua chegada a Israel. Saif Abu Keshek também relatou ter sido “amarrado pelas mãos e teve os olhos vendados”, além de ser “obrigado a permanecer deitado de bruços no chão desde o momento de sua detenção”.
Os organizadores da flotilha classificaram a interceptação como uma “armadilha mortal calculada no mar”, destacando que ocorreu a mais de 1.000 km de Gaza. Dezenas de outros ativistas detidos desembarcaram na sexta-feira (01/05/2026) na ilha grega de Creta.
O contexto de detenções e acusações de ligações com organizações sancionadas remete a tensões geopolíticas complexas. A União Europeia, por exemplo, tem buscado manter um diálogo com diversas partes em conflitos regionais, ao mesmo tempo em que lida com sanções impostas por potências como os Estados Unidos. A situação dos ativistas detidos em Israel pode ter implicações diplomáticas significativas, especialmente considerando as alegações sobre a PCPA.
A Flotilha Global Sumud, em sua primeira viagem em 2025, já havia enfrentado desafios em sua tentativa de levar suprimentos a Gaza, evidenciando as dificuldades logísticas e políticas para a entrega de ajuda humanitária ao território palestino.


