A Guarda Revolucionária iraniana lançou um ultimato aos Estados Unidos neste domingo, 3 de maio de 2026, desafiando a administração de Donald Trump a escolher entre uma operação militar considerada “impossível” e um “acordo ruim” com Teerã. A declaração surge após o presidente americano expressar ceticismo em relação à mais recente proposta iraniana para encerrar o conflito.
A situação entre os dois países permanece estagnada desde a entrada em vigor do cessar-fogo em 8 de abril de 2026, após quase 40 dias de ataques conjuntos de Israel e EUA contra o Irã, seguidos por represálias iranianas na região. Esforços diplomáticos subsequentes, como as negociações em Islamabad em 11 de abril, não obtiveram sucesso devido a divergências significativas em temas cruciais, incluindo o bloqueio do Estreito de Ormuz e o programa nuclear iraniano.
O serviço de inteligência da Guarda Revolucionária, em nota divulgada pela televisão pública, afirmou que “a margem de manobra dos Estados Unidos no tema da tomada de decisões diminuiu”. O órgão insistiu que “Trump deve escolher entre uma operação impossível ou um acordo ruim com a República Islâmica do Irã”. A declaração também mencionou um “ultimato” iraniano referente ao bloqueio americano dos portos iranianos e uma “mudança de tom” de China, Rússia e Europa em relação aos Estados Unidos.
No sábado, Donald Trump manifestou sua descrença em relação à proposta iraniana em sua plataforma Truth Social: “Em breve vou revisar o plano que o Irã acaba de nos enviar, mas não posso imaginar que seja aceitável, pois ainda não pagaram um preço alto o suficiente pelo que fizeram com a Humanidade e com o mundo nos últimos 47 anos”.
Segundo agências de notícias iranianas, Teerã transmitiu a Washington, através do Paquistão, um plano de 14 pontos com o objetivo de encerrar o conflito bélico em 30 dias. A agência Tasnim detalhou que o Irã exige a retirada das forças americanas de áreas próximas, a suspensão do bloqueio e do congelamento de ativos iranianos, o pagamento de indenizações, o fim das sanções, um “mecanismo” para o Estreito de Ormuz e o “fim da guerra em todas as frentes, incluído o Líbano”. O Líbano foi arrastado para o conflito após ataques do Hezbollah contra Israel em retaliação à morte do líder iraniano Ali Khamenei em 28 de fevereiro de 2026.
Neste domingo, Israel ordenou a evacuação “urgente” de localidades além do setor que controla no sul do Líbano, designado como “zona de segurança”. A agência Tasnim, contudo, não mencionou o programa nuclear, um ponto sensível para Estados Unidos e Israel, que acusam o Irã de buscar o desenvolvimento de armas atômicas, algo que Teerã nega.
O conflito já resultou em milhares de vítimas, com impacto significativo na economia mundial, elevando os preços do petróleo a níveis sem precedentes desde 2022. Apesar da cessação dos bombardeios, Washington mantém um bloqueio aos portos iranianos, em resposta ao fechamento do Estreito de Ormuz por Teerã, rota fundamental para o trânsito de petróleo.
O Irã já havia alertado sobre a retomada de hostilidades com os EUA. As recentes críticas de Trump à proposta de paz iraniana colocam o cessar-fogo em risco, em um cenário geopolítico já instável. A situação diplomática entre os dois países é complexa, com o Irã apresentando novas propostas de negociação.


