O grupo político do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência em 2026, busca apoio de Davi Alcolumbre, presidente do Senado, para solucionar o impasse na sucessão do governo fluminense. Bancadas do PL, União Brasil e PP na Câmara e no Senado planejam obstruir trabalhos legislativos esta semana como forma de pressão. A manobra visa influenciar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o caso e pode impactar a agenda do governo Lula, que prioriza a aprovação do fim da escala 6×1, com vistas às eleições de 2026.
A estratégia foi discutida durante uma viagem de Flávio Bolsonaro ao Rio de Janeiro, onde participou de um culto com o pastor Silas Malafaia. No evento, estiveram presentes o ex-prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), o ex-governador Cláudio Castro (PL), o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), e o presidente da Assembleia Legislativa do Estado, Douglas Ruas (PL). Ruas é o pré-candidato do PL ao governo estadual e o plano do partido é que ele assuma o posto provisoriamente para controlar a máquina estatal e ter um palanque eleitoral.
Flávio Bolsonaro deve se reunir com Alcolumbre nesta semana para solicitar intervenção na questão junto aos ministros do STF. Devido a compromissos internacionais e regionais, a conversa pode ocorrer por meio de um interlocutor. O primeiro-vice-presidente da Câmara, Altineu Côrtes (PL-RJ), dialogará com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Os bolsonaristas argumentam que Motta e Alcolumbre podem utilizar seus cargos institucionais para buscar uma solução com o STF, e que a obstrução seria prejudicial aos trabalhos legislativos a cinco meses das eleições. A Câmara dos Deputados iniciou nesta terça-feira (5) a primeira reunião da comissão especial dedicada a debater o fim da escala 6×1.
O grupo de Flávio Bolsonaro busca impedir que o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto, permaneça no Palácio Guanabara. Couto assumiu o governo interinamente após a renúncia de Castro no fim de março, pois era o primeiro na linha sucessória. O ex-vice-governador Thiago Pampolha renunciou ao posto, e o ex-presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar, foi preso.
“Nós não estamos querendo nenhuma decisão a favor do Douglas Ruas. O que a gente quer é que o STF decida logo a sucessão no Rio. O que não queremos é um desembargador sem legitimidade eleitoral sentado na cadeira. Não dá para ficar num pedido de vista ad aeternum”, declarou Sóstenes Cavalcante. Aliados de Flávio Bolsonaro suspeitam de uma articulação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com o ministro do STF Flávio Dino e o ex-prefeito do Rio.


