O Partido Liberal (PL) em Mato Grosso do Sul enfrenta um cenário de crescente confusão na definição da segunda vaga para o Senado em 2026. A incerteza aumentou após a divulgação de pesquisas eleitorais conflitantes, com diferentes institutos apresentando resultados díspares sobre as chances dos pré-candidatos.
Reinaldo Azambuja já possui uma vaga assegurada pelo diretório nacional do PL. A disputa pela segunda posição se concentra entre Marcos Pollon e Capitão Contar, gerando um ambiente de instabilidade na definição da chapa.
Marcos Pollon tem reiteradamente afirmado ser o escolhido por Jair Bolsonaro, citando uma carta divulgada por Michele Bolsonaro durante o período em que o ex-presidente esteve detido. Na missiva, Bolsonaro indicava Pollon como um dos candidatos.
Em visita à capital, Flávio Bolsonaro demonstrou uma posição distinta, desconsiderando a carta e endossando a proposta de Reinaldo Azambuja de utilizar pesquisas de intenção de voto como critério de escolha. Essa abordagem também pode gerar novas divergências.
Pesquisas Eleitorais Divergentes
Duas pesquisas divulgadas nesta semana apresentaram resultados significativamente diferentes para a corrida senatorial:
Instituto Ranking
No primeiro cenário, Reinaldo lidera com 21,6% das intenções de voto, seguido por Capitão Contar (18,4%), Nelsinho Trad (16,8%), Vander Loubet (PT, 8,2%), Soraya Thronicke (PSB, 6,6%), Daniel Júnior (Agir, 0,4%), Roberto Oshiro (Novo, 0,3%) e Beto do Movimento (0,2%). 12,3% votariam em branco ou nulo e 15,2% não souberam ou não responderam.
Em um segundo cenário, Reinaldo obteve 18,4%, Contar 17,6%, Vander Loubet 11%, Soraya Thronicke 7,4%, Daniel Júnior 0,4%, Roberto Oshiro 0,3% e Beto do Movimento 0,1%. 11,2% votariam em branco ou nulo e 13% não responderam.
Um terceiro cenário mostrou Nelsinho Trad com 26%, Vander Loubet com 13,4%, Soraya Thronicke com 10,6%, Marcos Pollon com 9%, Gianni Nogueira com 6,4%, Roberto Oshiro com 0,4%, Daniel Júnior com 0,3% e Beto do Movimento com 0,2%. 16,5% votariam em branco ou nulo e 17,2% não responderam.
A pesquisa do Instituto Ranking foi registrada no TSE sob os números BR-09022/2026 e MS-05477/2026. O levantamento ouviu 2.000 eleitores entre 3 e 7 de maio, com margem de erro de 95% de confiança.
Instituto Real Time
O Instituto Real Time apresentou um cenário mais favorável a Marcos Pollon. Em uma das simulações, Reinaldo lidera com 28%, seguido por Marcos Pollon (21%) e Nelsinho Trad (16%). Soraya Thronicke aparece em quarto lugar (10%), seguida por Vander Loubet (9%), Beto do Movimento e Daniel Júnior (2% cada).
Em outro cenário, Reinaldo alcançou 29%, contra 18% de Capitão Contar, 17% de Nelsinho Trad, 10% de Soraya Thronicke, 9% de Vander Loubet e 2% de Beto do Movimento e Daniel Júnior.
A pesquisa da Real Time Big Data entrevistou 1.600 eleitores em Mato Grosso do Sul entre 9 e 11 de maio. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no TSE sob o protocolo MS-06412/2026.
Decisão Final em Aberto
Os resultados divergentes das pesquisas indicam que a definição da segunda vaga ao Senado pode ser subjetiva, com a decisão final possivelmente recaindo sobre a cúpula do partido. O presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, havia inicialmente indicado Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, mas manteve silêncio após a carta de Bolsonaro. Reinaldo Azambuja e Flávio Bolsonaro defendem a adoção de pesquisas como critério, uma tese que Capitão Contar também endossava antes da divulgação dos resultados conflitantes.
A reportagem buscou contato com Reinaldo Azambuja e Valdemar da Costa Neto para obter esclarecimentos sobre a decisão do PL, mas ambos não retornaram até o fechamento desta matéria.
A disputa pela vaga ao Senado em Mato Grosso do Sul reflete a complexidade das articulações políticas para as eleições de 2026. Paralelamente, pesquisas indicam que Flávio Bolsonaro lidera intenções de voto para presidência em Mato Grosso do Sul.


