Um tribunal israelense confirmou, nesta quarta-feira (06/05/2026), a prorrogação da prisão do ativista brasileiro Thiago Ávila e do espanhol-palestino Saif Abu Keshek. A detenção, que ocorreu quando participavam de uma flotilha com destino a Gaza, foi estendida até domingo. A decisão veio após a rejeição de um recurso apresentado pela defesa dos detidos.
Ávila e Abu Keshek foram detidos pelas forças israelenses em frente à costa da ilha grega de Creta, na quinta-feira anterior. Posteriormente, foram levados a Israel para interrogatório, enquanto os demais ativistas da flotilha foram transferidos para uma ilha grega e liberados.
O tribunal de Beerseba rejeitou os argumentos da defesa e acatou as alegações do Estado e da polícia, mantendo a decisão inicial de prolongar a custódia. A advogada Hadeel Abu Salih, que representa os ativistas, informou que a ONG israelense Adalah classifica a detenção como ilegal e denuncia maus-tratos contínuos.
Apesar de não terem sido formalmente acusados, Israel alega que Ávila e Abu Keshek possuem vínculos com o movimento palestino Hamas e com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA). A Adalah afirma que as autoridades os acusam de “ajudar o inimigo em tempo de guerra” e de “pertencer a uma organização terrorista e prestar serviços a ela”.
A defensora Hadeel Abu Salih declarou que a prisão ocorreu em águas internacionais, caracterizando um sequestro. Ela expressou preocupação com a decisão judicial, que pode legitimar futuras prisões ilegais de cidadãos estrangeiros pelas forças israelenses.
Segundo a Adalah, os detidos estão em “isolamento total”, submetidos a iluminação intensa e vendados em suas celas e durante transferências. As autoridades israelenses negam as acusações.
O Brasil, a Espanha e a Organização das Nações Unidas (ONU) exigiram a libertação imediata dos ativistas. O porta-voz do escritório de direitos humanos da ONU, Thameen Al-Kheetan, solicitou a soltura “imediata e incondicional”. A flotilha partiu da Europa com o objetivo de furar o bloqueio israelense a Gaza e entregar ajuda humanitária ao território palestino.
A situação dos ativistas detidos reflete a complexidade das tensões na região e a busca por ajuda humanitária em Gaza. As demandas por libertação ecoam internacionalmente, enquanto Israel mantém sua postura de segurança.
Este caso ocorre em um contexto de preocupação global com a situação humanitária em Gaza e as restrições de acesso. A crise humanitária em outras regiões também tem gerado atenção internacional.
A flotilha buscava entregar suprimentos essenciais, evidenciando a necessidade contínua de assistência ao povo palestino. A atuação da ONU e de organizações de direitos humanos busca garantir o cumprimento do direito internacional e a proteção de civis em zonas de conflito.


