A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS) concluiu um ciclo de formação em Justiça e Policiamento Restaurativo em cinco regiões com alta concentração populacional indígena no estado: Dourados, Naviraí, Ponta Porã, Aquidauana e Corumbá. A iniciativa visa aproximar culturas e fortalecer a cooperação internacional.
Um total de 430 agentes estaduais de segurança pública, incluindo policiais civis e militares, peritos oficiais e bombeiros militares, participaram da capacitação. O programa foi realizado em parceria com a Secretaria de Estado da Cidadania e o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), com recursos do Fundo Estadual de Segurança Pública (Fesp).
O policial militar indígena Amildo Malheiro Vaz, lotado na Aldeia Limão Verde em Aquidauana, ressaltou a relevância da formação. “Ampliar esse conhecimento para colegas de outros municípios é muito importante. Tudo vem para agregar e fortalecer ainda mais o policiamento dentro das comunidades indígenas. Primeiro, é fundamental conhecer a cultura indígena. Durante o curso, tivemos momentos de interação entre indígenas e não indígenas, que são os policiais. Conhecer essa realidade é essencial, principalmente em um estado que possui a terceira maior população indígena do país”, declarou.
Indígenas atuaram como agentes metodológicos em cada município, contribuindo ativamente para os debates e o desenvolvimento das atividades. Luciane Gallo, conselheira estadual dos Povos Originários em Contexto Urbano da região Sul/Conesul de Mato Grosso do Sul, destacou a importância da aproximação entre as forças de segurança e as comunidades indígenas. “Recebemos esse curso com muita alegria. Ele traz confiança, segurança e também uma forma mais tranquila de atuação conjunta com as forças policiais. Essa aproximação é importante para fortalecer o policiamento nas comunidades indígenas, garantindo segurança sem deixar de respeitar a ancestralidade, os nossos valores e a cultura dos povos indígenas”, afirmou.
Um diferencial do ciclo de formação foi a participação de representantes das polícias do Paraguai e da Bolívia. Mato Grosso do Sul compartilha mais de mil quilômetros de fronteira seca com ambos os países e enfrenta desafios similares relacionados às comunidades indígenas. O comissário paraguaio Francisco Galeano Diaz enfatizou a importância da integração internacional e da troca de experiências. “É importante receber essa instrução, essa forma e evocar diferentes maneiras de identificar os problemas, tomá-los com muita importância e, assim, poder dar o melhor serviço e ter uma melhor comunicação com a comunidade, com os valores e os princípios, e ter uma comunicação fluída, que são pontos tão ressaltantes que tivemos nesse curso. E esse conhecimento teórico vamos pôr em prática em nossa região e em nosso local de trabalho. Estou seguro de que vai ser de muita utilidade em nosso departamento”, disse.
A juíza federal Raquel Domingues do Amaral, idealizadora do curso e coordenadora do Centro de Justiça Restaurativa de Mato Grosso do Sul (Cejure-MS), classificou o policiamento como a “ponta de lança do sistema de Justiça”. A iniciativa se alinha com esforços mais amplos para o fortalecimento de políticas públicas voltadas para a juventude e a formação contra o trabalho escravo no estado, visando a segurança e o bem-estar das populações.


