O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem visita prevista à China nos dias 14 e 15 de maio para se reunir com seu homólogo, Xi Jinping. O encontro ocorre após o adiamento de uma cúpula anterior, motivado pela guerra no Irã. Analistas apontam que Pequim buscará resultados concretos, mantendo uma postura pragmática diante da imprevisibilidade do líder americano.
Objetivos de Pequim no Diálogo
A China almeja uma retomada geral das relações bilaterais, embora reconheça a baixa probabilidade de tal cenário, segundo Benjamin Ho, da Escola de Estudos Internacionais S. Rajaratnam, de Singapura. A prioridade de Pequim para a reunião é a prorrogação da trégua comercial de um ano, acordada em outubro de 2025, conforme especialistas. “O que a China precisa é que Trump cumpra sua promessa de se comprometer, com pelo menos alguns resultados concretos discutidos no mais alto nível”, afirmou Yue Su, da Economist Intelligence Unit (EIU).
Pequim se satisfará com “resultados específicos”, como reduções tarifárias limitadas que justifiquem uma retirada moderada de suas próprias tarifas ou restrições à exportação. A questão do Irã será um tema inevitável, mas a China não demonstra ânsia em se envolver profundamente. “Os Estados Unidos já estão aumentando a pressão sobre a China antes da cúpula ao mirar seus laços econômicos com Teerã”, explicou Lizzi Lee, do Asia Society Policy Institute.
Trump advertiu no mês passado sobre a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos chineses caso o país fornecesse assistência militar a Teerã. A China, parceira próxima da república islâmica, classificou como ilegais os bombardeios dos Estados Unidos e de Israel que desencadearam a guerra em 28 de fevereiro. No entanto, também criticou ataques iranianos contra países do Golfo e pediu a reabertura do Estreito de Ormuz. A China não aceitará pressão dos EUA para tomar medidas contra o Irã ou a Rússia, sobre os quais “pode ter alguma influência, mas não um controle decisivo”, apontou Su.
A guerra com o Irã adicionaria “outra camada de pressão mútua”, sustentou Lee, embora o principal foco de negociação permaneça o comércio e o investimento. Uma das principais cartas de negociação da China são suas terras raras, metais cruciais para diversas indústrias. O domínio chinês nesse setor, do qual a Câmara dos Deputados aprovou o PL das Terras Raras, é resultado de décadas de esforço e representa a ferramenta mais poderosa da China em caso de necessidade de concessões significativas por parte dos Estados Unidos, segundo Su. Trump demonstrou grande interesse nas terras raras, adicionou Joe Mazur, analista da consultoria Trivium China.


