Israel deportou neste domingo (10 de maio de 2026) o ativista brasileiro Thiago Ávila e o palestino-espanhol Saif Abu Keshek, detidos enquanto participavam de uma flotilha humanitária com o objetivo de entregar ajuda a Gaza. Ambos foram interceptados em 30 de abril, em águas internacionais, por forças israelenses.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel, em nota publicada no X, classificou os detidos como “provocadores profissionais” e confirmou a deportação após a conclusão de investigações. O ministério não detalhou as acusações de “pertencimento a uma organização terrorista”, que fundamentaram a detenção dos dois homens por mais de uma semana.
A flotilha, composta por cerca de cinquenta embarcações partindo de França, Espanha e Itália, buscava romper o bloqueio israelense e levar suprimentos ao território palestino. O governo espanhol declarou a detenção como “ilegal” e “fora de toda jurisdição”, enquanto a ONU exigiu a “libertação imediata” dos ativistas. Israel reiterou que não permitirá “nenhuma violação” do bloqueio marítimo de Gaza.
A ONG israelense Adalah, que representou legalmente os detidos, denunciou as ações das autoridades israelenses como um “ataque punitivo contra uma missão puramente civil” e uma tentativa de “suprimir a solidariedade global com os palestinos em Gaza”. A organização relatou “maus-tratos” e “abusos psicológicos” durante a prisão, incluindo interrogatórios prolongados, isolamento total e iluminação constante nas celas.
As autoridades israelenses negaram as acusações. A diplomacia espanhola informou que Israel não apresentou provas do suposto vínculo de Abu Keshek com o Hamas. A flotilha é uma iniciativa que já foi interceptada pelas forças israelenses em viagens anteriores. O bloqueio israelense a Gaza, em vigor desde 2007, agrava a escassez de suprimentos no território, especialmente durante o conflito iniciado em outubro de 2023.
A detenção e deportação dos ativistas ocorre em um contexto de intensas discussões sobre o conflito em Gaza e a necessidade de ajuda humanitária. A situação em Gaza tem sido um ponto de preocupação internacional, com diversas organizações exigindo o fim do bloqueio e a garantia do acesso de suprimentos essenciais.
A expulsão de ativistas de Israel levanta questões sobre a liberdade de expressão e o direito à solidariedade humanitária.


