O Corpo de Bombeiros do Mato Grosso do Sul executou uma operação de queima prescrita no Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema (Pevri), localizado na Bacia do Rio Paraná. A iniciativa, parte do Manejo Integrado do Fogo (MIF), visa a prevenção de incêndios florestais de grande porte e o fortalecimento da capacidade de resposta a emergências.
O capitão dos Bombeiros, Samuel Pedrozo, responsável pela operação, ressaltou a importância da prática: “Essas práticas são essenciais para o controle da biomassa acumulada, reduzindo o risco de grandes incêndios florestais. O uso do fogo controlado, aliado a abertura de aceiros e ao planejamento adequado se mostra extremamente eficiente na mitigação dos incêndios, principalmente quando realizado no período correto”.
O Governo do Estado de Mato Grosso do Sul tem consolidado ações de prevenção desde 2023 para a preservação e controle de incêndios em todos os biomas. A operação no Pevri, que se estendeu por quatro dias (entre 1º e 4 de maio), considerou a influência prevista do fenômeno climático El Niño, que, conforme projeções para 2026, tende a intensificar a ocorrência de incêndios florestais no Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal. O El Niño impacta o regime de chuvas, temperaturas e ventos, elevando o risco de fogo na região. Em Mato Grosso do Sul, o fenômeno deve resultar em temperaturas mais elevadas durante o inverno de 2026 e em irregularidades de precipitação.
A atividade contou com a participação de bombeiros militares, viaturas especializadas e equipes do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul). O Pevri abrange 73,3 mil hectares e faz parte do bioma Mata Atlântica, estendendo-se pelos municípios de Taquarussu, Naviraí e Jateí.
Leonardo Tostes, gerente das Unidades de Conservação do Imasul, destacou: “Nas unidades de conservação, como o Parque Estadual Várzeas do Rio Ivinhema, o manejo adequado do fogo é essencial para manter o equilíbrio ecológico e proteger a biodiversidade. Essas ações são planejadas com base em critérios técnicos rigorosos”.
O planejamento da operação incluiu mapeamento detalhado com geotecnologias e o uso de um drone equipado com sensores infravermelhos e câmeras térmicas. Essa tecnologia permitiu o monitoramento contínuo da área, incluindo a identificação de fauna, mesmo durante a noite. A queima controlada foi iniciada em um período de temperatura elevada, cerca de 30 °C, e perdeu intensidade com a queda da temperatura, aumento da umidade e formação de orvalho ao longo da tarde, extinguindo-se naturalmente. As equipes permaneceram em alerta para intervenções imediatas.


