A Comunidade Quilombola Tia Eva, em Campo Grande, será palco de uma edição especial do Rota Cine MS – Povos Tradicionais na quinta-feira (14). A iniciativa, realizada pela Secretaria de Estado da Cidadania (SEC) e pela Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, visa transformar territórios tradicionais em espaços de encontro, cultura e valorização das identidades sul-mato-grossenses, exibindo filmes que abordam memória, identidade e pertencimento.
A sessão cinematográfica ocorre às 19h40, no Centro Comunitário da Comunidade Tia Eva. A programação é focada em reflexão social, preservação cultural e fortalecimento dos vínculos comunitários. A ação conta com a parceria do Instituto Curumins e do Governo Federal.
O projeto Rota Cine MS – Povos Tradicionais tem como objetivo democratizar o acesso à produção audiovisual e ocupar simbolicamente territórios muitas vezes afastados dos circuitos culturais tradicionais. Com uma estrutura itinerante, o projeto leva sessões para comunidades quilombolas, indígenas, povos de matriz africana, comunidades ciganas e outros grupos tradicionais, promovendo inclusão, pertencimento e acesso à cultura.
Nesta edição, o público assistirá a dois curtas-metragens que exploram a ancestralidade, a memória popular e a preservação ambiental:
- “As Marias”: Documentário que resgata a história das trigêmeas Maria Etelvina, Maria Leonor e Maria Salvadora. Seu nascimento, em 1947, marcou o então Mato Grosso, despertando curiosidade popular e mobilizando autoridades.
- “Toada – Para Recolher os Rastros no Céu”: Curta que mergulha na poética do sertão, inspirado no conto “O Santo que Não Tinha os Pés”, de Reginaldo Albuquerque. A narrativa acompanha um vaqueiro em busca de sentido após uma experiência inexplicável.
Deividson Silva, subsecretário de Políticas Públicas para Promoção da Igualdade Racial, explicou que o projeto nasceu da escuta das comunidades tradicionais. “O Rota Cine MS – Povos Tradicionais surge de uma provocação feita por uma comunidade quilombola aqui de Campo Grande, que buscava alternativas de lazer, convivência e acesso à cultura, especialmente para as pessoas idosas”, disse Silva. Ele complementou que o projeto responde à necessidade dessas populações em territórios mais afastados e com acesso restrito a equipamentos culturais.
Larissa Paraguassu, subsecretária de Políticas Públicas para Pessoas Idosas, destacou o papel dos idosos como guardiões da memória e dos saberes tradicionais. “Nesses territórios, a população idosa ocupa um lugar fundamental na preservação da cultura, da história e das tradições comunitárias. Quando o cinema chega de forma itinerante, ele cria espaços de convivência, pertencimento e troca entre gerações”, afirmou Paraguassu.
Edu Mendes, diretor-presidente da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, ressaltou a importância da iniciativa para o estado. A iniciativa se alinha com o objetivo de promover a cultura em todas as regiões do estado, conforme já demonstrado em outras ações como a Expoagro Dourados, que destaca o ambiente de negócios e investimentos em Mato Grosso do Sul.


