O Irã emitiu um ultimato aos Estados Unidos, declarando que a aceitação de sua proposta de 14 pontos é a única via para evitar o fracasso nas negociações. Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do parlamento iraniano, fez a declaração nesta terça-feira (12), após o presidente dos EUA, Donald Trump, classificar a mais recente contraproposta do Irã como “totalmente inaceitável”.
Uranio Enriquecido: Ponto de Discórdia Central
As negociações de paz, paralisadas desde abril após uma rodada inicial sem sucesso, giram em torno do estoque de urânio enriquecido do Irã. Teerã possui material enriquecido a 60% de pureza, enquanto a fabricação de armas nucleares requer aproximadamente 90%. Os Estados Unidos insistem na transferência desse material para fora do país, uma exigência que o Irã tem recusado, defendendo seu direito ao uso pacífico da energia nuclear. O nível de enriquecimento, no entanto, permanece como um ponto “negociável”, segundo autoridades iranianas.
Ghalibaf afirmou em rede social que “não há alternativa senão aceitar os direitos do povo iraniano, conforme estabelecido na proposta de 14 pontos. Qualquer outra abordagem será completamente inconclusiva; nada além de um fracasso após o outro”, adicionando que “quanto mais eles demorarem, mais os contribuintes americanos pagarão”.
Em resposta a possíveis ataques dos EUA, autoridades militares iranianas alertaram sobre a prontidão para retaliar. O país já demonstrou sua capacidade de influenciar mercados globais ao interromper o tráfego comercial pelo Estreito de Ormuz, enquanto os EUA implementaram um bloqueio naval aos portos iranianos.
Detalhes sobre a contraproposta iraniana e a mais recente oferta americana, que visa encerrar combates e estabelecer bases para negociações sobre o programa nuclear, não foram divulgados. Contudo, Ebrahim Rezaei, porta-voz da comissão de segurança nacional do parlamento iraniano, publicou no X que o enriquecimento de urânio para níveis de 90% seria considerado caso o conflito fosse retomado.
A situação diplomática e as tensões geopolíticas em torno do programa nuclear iraniano continuam a ser um fator de instabilidade. Paralelamente, a política interna dos EUA e as eleições presidenciais de 2026 também moldam o cenário das relações internacionais.


