O governo brasileiro manifestou surpresa nesta terça-feira (12/05/2026) com a decisão da União Europeia de remover o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para o bloco. A medida, oficializada pelo Comitê Permanente para Plantas, Animais, Alimentos e Ração da Comissão Europeia, baseia-se no uso excessivo de antibióticos no país, uma prática que o Brasil não conseguiu comprovar que não ocorre.
Apesar da decisão, as exportações de carne para a Europa seguem normalmente no momento, conforme comunicado oficial. O governo Lula declarou que tomará as providências necessárias para reverter a exclusão. O chefe da Delegação do Brasil junto à UE se reunirá com autoridades sanitárias do bloco na quarta-feira (13/05/2026) para buscar esclarecimentos e apresentar argumentos.
A lista da União Europeia, validada por seus países membros, determina quais nações terceiras poderão continuar exportando carne para o continente a partir de setembro, desde que cumpram as rigorosas normas sanitárias europeias. A lista inclui países como Argentina, Colômbia e México. Espera-se que a lista seja atualizada após a resposta das autoridades brasileiras a Bruxelas.
A publicação desta lista envia um “forte sinal de vigilância”, segundo fontes europeias, e ocorre após críticas do setor agrícola e da França relacionadas à assinatura do acordo de livre comércio entre a UE e os países do Mercosul (Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai), que entrou em vigor em 1º de maio em caráter provisório. O acordo ainda aguarda decisão judicial na Europa quanto à sua legalidade.
O Comissário Europeu para a Agricultura, Christophe Hansen, destacou que “Nossos agricultores seguem alguns dos padrões de saúde e antimicrobianos mais rigorosos do mundo. Portanto, é legítimo que os produtos importados estejam sujeitos aos mesmos requisitos. A decisão tomada hoje demonstra que o sistema europeu de controle funciona”.
As normas da UE proíbem o uso de antimicrobianos em animais para promover crescimento ou aumentar a produção. Além disso, animais não podem ser tratados com antibióticos reservados para infecções humanas. Estas diretrizes integram a política europeia de combate à resistência microbiana a medicamentos e a prevenção do uso desnecessário de antibióticos.
O Brasil foi incluído na lista da UE para exportação de carne. A União Europeia busca reforçar a vigilância sanitária após acordos comerciais.


