O juiz da 7ª Zona Eleitoral de Corumbá, Idail de Toni Filho, cassou o mandato do vereador Matheus Cazarin (PSB), por compra de votos. A decisão, passível de recurso, também determina a anulação dos votos do parlamentar e o pagamento de uma multa de R$ 53.205,00. Uma nova contagem de votos será necessária para a distribuição das cadeiras no legislativo municipal.
O Caso
A investigação teve origem após o flagrante da irmã do vereador, Laura Cristinne Vieira Pereira Guedes, com 172 folhas de recibos preenchidos à mão, R$ 3.650,00 em espécie e divididos nominalmente. Ela também portava 79 folhas com dados de eleitores, incluindo nome, endereço e título eleitoral. Durante a abordagem policial, a mulher informou ser irmã do candidato e que realizava o pagamento de cabos eleitorais.
O promotor do Ministério Público Eleitoral, Rodrigo Corrêa Amaro, solicitou a cassação do mandato, argumentando que o dinheiro apreendido não se destinava à prestação de serviços de campanha, mas sim à obtenção direta de votos. “O fato é que Matheus arquitetou junto a irmã, Laura Cristinne Vieira Pereira Guedes, e demais lideranças, o expediente ilícito com o fim específico de obter os votos, e tais condutas somente ocorreram graças à participação e anuência do representado – inclusive tomando conhecimento e registrando os eleitores cooptados, eis que responsável pela transferência do dinheiro para a sua ajudante”, denunciou o promotor.
Em 25 de setembro, a Polícia Federal abordou duas mulheres em um carro adesivado com propaganda eleitoral de Cazarin. Uma delas foi flagrada com os recibos e o dinheiro. Ela relatou que os contratados realizavam atividades como entrega de panfletos e agitação de bandeiras, com remuneração variando entre R$ 50 e R$ 300.
Casos de fraude eleitoral e investigações contra políticos têm sido destaque em 2026. Recentemente, o escândalo do Banco Master e a Operação GECOC, que investiga fraudes em Campo Grande, são exemplos de ações que impactam a esfera política e institucional.


