O ex-deputado estadual João César Matto Grosso reassumirá uma cadeira na Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul. A decisão decorre da condenação de Loester Carlos Gomes, conhecido como Tio Trutis, e de sua ex-esposa, Raquelle Trutis, por irregularidades em campanha eleitoral. O presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), Carlos Eduardo Contar, determinou a recontagem de votos para os cargos de deputado estadual e federal no estado.
A recontagem impacta a composição da Assembleia Legislativa. O Partido Liberal (PL), que originalmente obteve 132.945 votos para estadual, com a exclusão dos votos de Raquelle Trutis, totaliza agora 122.163. Essa alteração resulta na perda de uma vaga da sobra para o PL, que cede a cadeira para o PSDB. O PSDB, com 293.036 votos, garante sua sétima cadeira. Neno Razuk obteve 17.023 votos e João César Matto Grosso, 11.650 votos.
Neno Razuk é pré-candidato a deputado federal pelo Partido Liberal. João César Matto Grosso, que agora retorna ao legislativo estadual, atua como diretor-adjunto do Detran-MS.
O Caso de Lavagem de Dinheiro
A redefinição do quadro de deputados estaduais ocorre após a condenação de Tio Trutis e Raquelle Trutis por lavagem de dinheiro. Em março de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a condenação da dupla por movimentar R$ 776 mil em atividades ilícitas. A decisão final, sem possibilidade de recurso, foi proferida pelos ministros Carmen Lúcia, Nunes Marques, André Mendonça, Ricardo Villas Bôas Cueva, Estela Aranha e Floriano de Azevedo Marques. Com a correção monetária, o valor a ser pago pela dupla ultrapassa R$ 1 milhão.
Conforme o TRE-MS, o ex-casal utilizou duas empresas para dissimular movimentações financeiras ilícitas, simulando a prestação de serviços e mascarando o desvio de recursos públicos. Desembargadores apontaram contradições em depoimentos, falta de comprovação de serviços, endereços inexistentes e outras irregularidades durante o processo. Com a decisão, Tio Trutis e Raquelle Trutis também podem ser declarados inelegíveis por oito anos.
Loester Carlos Gomes obteve 21.784 votos para deputado federal e Raquelle Trutis, 10.782 votos para estadual. As irregularidades identificadas levaram à determinação da devolução dos recursos e impactaram diretamente a representação política.
A situação eleitoral no Mato Grosso do Sul tem sido marcada por operações investigativas e um cenário político dinâmico em 2026. O TRE-MS já ordenou recontagem de votos para deputados em outros casos de condenação por lavagem de dinheiro.


