O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPE) deflagrou a Operação Buraco Sem Fim, que resultou na prisão de sete pessoas, incluindo o coordenador do serviço de tapa-buraco em Campo Grande, Edvaldo Aquino. Segundo as investigações, Aquino utilizava seu filho, Thiago Nogueira Pereira, nomeado fiscal na mesma secretaria, como intermediário para o recebimento de propinas destinadas à cúpula de uma organização criminosa. O esquema fraudava a manutenção de vias públicas no município.
Organização Criminosa Investigada
A operação aponta que Edvaldo Aquino atuava como peça-chave na celeridade burocrática do esquema. Ele assinava documentos no lugar de outros supervisores, garantindo o fluxo de desvios. Seu filho, Thiago Nogueira Pereira, recebia salários de R$ 4,3 mil como fiscal, com holerites registrados até janeiro de 2026. Publicações no Diário Oficial indicam Thiago substituindo fiscais de obra, como em março de 2025, quando foi designado para acompanhar o contrato da Sisep com a HF ENGENHARIA E CONSTRUÇÃO LTDA para pavimentação.
Entre os presos estão o ex-secretário de Infraestrutura e Serviços Públicos, Rudi Fiorese; o superintendente da Sisep, Mehdi Talayeh; servidores Erick Antônio Valadão e Fernando de Souza Oliveira; além dos empresários Antônio Bittencourt e Antônio Roberto Bittencourt. Durante as buscas, foram apreendidos R$ 429 mil em dinheiro vivo, sendo R$ 186 mil em um endereço e R$ 233 mil em outro.
Fraude em Contratos e Pagamentos Indevidos
O MPE investiga a manipulação sistemática de medições e a realização de pagamentos indevidos em contratos de manutenção de vias públicas. As evidências apontam para pagamentos públicos que não condizem com os serviços prestados, visando o desvio de dinheiro público e o enriquecimento ilícito dos investigados. A má qualidade das vias municipais é apontada como consequência direta.
De acordo com a investigação, entre 2018 e 2025, a empresa investigada obteve contratos e aditivos totalizando R$ 113.702.491,02. A investigação sugere que a estrutura de fiscalização e execução de obras na cidade foi comprometida pela organização. Este caso reitera a importância da fiscalização rigorosa em contratos públicos, especialmente em áreas de infraestrutura. O investimento em saneamento e infraestrutura é crucial para o desenvolvimento, mas deve ser acompanhado de transparência e controle efetivo. O modernização de serviços públicos, como segurança, também requer rigor na aplicação dos recursos.


