A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou emergência de saúde pública de importância internacional devido ao surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC). A decisão ocorre após a confirmação de um caso em Goma, cidade sob controle da milícia M23, elevando o total para 88 mortes e 336 casos suspeitos da febre hemorrágica altamente contagiosa. A OMS alerta para um risco significativo de propagação local e regional.
Caso em Goma Acende Alerta
O primeiro caso confirmado em Goma é da esposa de um homem que faleceu vítima do vírus do ebola em Bunia. Segundo Jean-Jacques Muyembe, diretor do Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica (INRB) congolês, a mulher viajou para Goma já infectada. A confirmação laboratorial neste domingo (17) intensificou o temor de uma propagação mais ampla. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, expressou profunda preocupação e determinou o mais alto nível de alerta, ressalvando que a situação não cumpre os critérios de emergência pandêmica.
Dados da Epidemia e Transmissão
Os Centros Africanos para o Controle e a Prevenção de Doenças (CDC África) informaram, em comunicado divulgado no sábado, que a RDC registrou 88 mortes e 336 casos suspeitos. A transmissão do vírus ocorre por meio de fluidos corporais ou exposição ao sangue de indivíduos infectados, que se tornam contagiosos após o aparecimento dos sintomas. O período de incubação pode estender-se por até 21 dias. A OMS, com sede em Genebra, classificou o surto com o segundo nível mais elevado de alerta, inferior apenas à pandemia.
Desafios no Combate e Impacto Histórico
A magnitude do surto e a extensão geográfica permanecem incertas, segundo a OMS. A organização aponta que a quantidade de resultados positivos em amostras iniciais, a confirmação de contágios em dois países e o aumento de casos suspeitos indicam um surto potencialmente maior do que o notificado. Médicos Sem Fronteiras (MSF) prepara uma resposta em larga escala. O ministro da Saúde da RDC, Samuel-Roger Kamba, declarou que a cepa de Bundibugyo não possui vacina nem tratamento específico, apresentando uma taxa de mortalidade que pode atingir 50%. Este é o 17º surto de ebola na RDC. Apesar dos avanços em tratamentos e vacinas, a doença causou quase 15.000 mortes na África nos últimos 50 anos. A situação na RDC demanda atenção e esforços coordenados para mitigar a propagação e salvar vidas.


