O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou a aliados a intenção de reenviar a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) ao Senado Federal. A decisão ocorre após a rejeição histórica do nome do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU) em abril de 2026, quando o Senado negou a nomeação por 42 votos a 34. Messias, por sua vez, mantém cautela quanto à possibilidade de uma nova indicação.
A rejeição de Messias pelo Senado em 29 de abril marcou o rompimento de uma aliança entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que teria articulado a derrota. Apesar do revés, Lula sinalizou a aliados que pretende submeter o nome de Messias novamente à Casa antes das eleições presidenciais de outubro de 2026.
Aliados do presidente ponderam que a nova indicação ainda depende de conversas e acertos com a liderança do Senado. Um ponto de virada para a decisão de Lula teria sido a cerimônia de posse do ministro Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 12 de maio de 2026. Na ocasião, Messias foi aplaudido, o que Lula interpretou como um sinal de respeito e reconhecimento ao seu trabalho. Alcolumbre, presente na solenidade, não demonstrou apoio, gerando um clima de desconforto.
Jorge Messias reuniu-se com Lula em duas ocasiões após a derrota no Senado. Segundo interlocutores, o ministro da AGU só aceitaria uma nova indicação se houvesse alta certeza de aprovação. Messias iniciou férias em 13 de maio e retornará em 26 de maio de 2026.
Juristas, aliados do governo e líderes evangélicos prestaram solidariedade a Messias após a rejeição, afirmando que ele teria sido vítima de um jogo político-eleitoral e não por falta de qualificação técnica. A vaga no STF está aberta desde a aposentadoria de Luís Roberto Barroso em outubro de 2025.
A articulação de setores bolsonaristas para barrar indicações de Lula até a eleição foi noticiada. A rejeição de um nome para o STF não ocorria desde 1894, configurando uma crise para o governo. Uma alternativa considerada foi a nomeação de Messias para o Ministério da Justiça, atualmente chefiado por Wellington César Lima e Silva, que tem recebido críticas internas. Contudo, a pasta da Justiça não é vista como atrativa para Messias, segundo interlocutores.


