A Polícia Federal (PF) detectou um pagamento de R$ 14,2 milhões de um dos fundos ligados ao grupo Refit, conglomerado do setor de combustíveis controlado por Ricardo Magro, para uma empresa da família do senador Ciro Nogueira (PP-PI). A transação foi revelada no curso da Operação Sem Refino, que investiga um vasto esquema de sonegação e corrupção imputado à Refit.
Procurado pela reportagem, o senador Ciro Nogueira confirmou o recebimento do valor, ocorrido em 2024, afirmando que a transação refere-se à venda de um terreno com mais de 40 hectares para a construção de uma distribuidora de combustíveis. Segundo o parlamentar, o negócio foi “regular e declarado às autoridades”. Ele esclareceu que, à época da negociação, detinha apenas 1% de participação na Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis, empresa que leva seu nome, mas que hoje tem como sócios apenas seus familiares.
O pagamento à empresa da família Nogueira foi informado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou na semana passada a Operação Sem Refino. A ação da PF mira o esquema liderado por Ricardo Magro, apontado pela Receita Federal como o maior devedor contumaz de impostos do Brasil, com dívidas que superam R$ 26 bilhões. Magro, que atualmente está no exterior e é considerado foragido, teve seu nome incluído na lista da Interpol e é investigado por fraudes, sonegação de ICMS e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. A operação também teve como alvo o ex-governador do Rio, Cláudio Castro (PL).
As investigações da PF aprofundaram a contabilidade de diversos fundos e empresas ligadas ao conglomerado Refit. Foi identificada a transferência dos R$ 14,2 milhões da Athena, empresa dona de imóveis suspeitos de serem operados pelo grupo e “principal beneficiária” de um dos fundos (o EUV Gladiator), para a Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis. A PF ressalta que a contabilidade analisada não detalha o motivo exato do pagamento nem pormenores sobre o negócio, o que deverá ser objeto de aprofundamento nas próximas fases da apuração.
Embora Ciro Nogueira não tenha sido alvo direto de busca e apreensão na Operação Sem Refino – um ex-assessor seu chegou a ser –, o senador foi alvo, no início de maio deste ano (2026), de busca e apreensão determinada no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes no Banco Master. Em uma investigação distinta, a PF aponta que o senador teria recebido “vantagens indevidas” – pagamentos mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil – em troca de auxílio a um indivíduo identificado como Vorcaro em projetos no Congresso.


