Tulsi Gabbard, a influente Diretora de Inteligência Nacional dos Estados Unidos (DNI), anunciou nesta sexta-feira, 22 de maio de 2026, sua renúncia ao cargo, citando motivos pessoais. Em uma carta aberta endereçada ao presidente Donald Trump e divulgada na rede social X, Gabbard informou que deixará suas funções em 30 de junho deste ano para acompanhar o tratamento de seu marido, recém-diagnosticado com câncer ósseo.
Líder da DNI, órgão responsável por coordenar todas as agências de inteligência do país, desde o início do segundo mandato de Trump, Gabbard recebeu elogios públicos do presidente. Trump afirmou que ela realizou um “trabalho incrível” e que sua ausência será sentida. Para a sucessão, foi designado Aaron Lukas, atual vice-diretor, que assumirá a chefia da Inteligência de forma interina.
A saída de Gabbard representa o quarto desfalque feminino no alto escalão do governo Trump em apenas três meses. A lista inclui as recentes renúncias da Procuradora-Geral Pam Bondi, da Secretária de Segurança Interna Kristi Noem e da Secretária do Trabalho Lori Chavez-DeRemer, evidenciando um período de instabilidade na cúpula administrativa.
Apesar da justificativa familiar, a gestão de Gabbard foi notória por episódios de discordância com a Casa Branca. A imprensa americana frequentemente destacou as divergências da diretora com o presidente Trump em pontos sensíveis da política externa.
Em março, por exemplo, durante uma audiência no Congresso, Gabbard recusou-se a corroborar a tese republicana de que o Irã representava uma “ameaça iminente” antes dos ataques que deflagraram o atual conflito no Oriente Médio. Sua trajetória política, marcada por uma guinada do Partido Democrata, e suas posições críticas ao intervencionismo militar dos EUA, bem como sua postura frequentemente descrita como pró-Rússia em relação à guerra na Ucrânia, geraram intensos debates e controvérsias entre os órgãos de inteligência e o establishment político americano.
Ex-oficial militar de 45 anos e natural do Havaí, Tulsi Gabbard ganhou projeção nacional ao romper com os Democratas e adotar uma linha política independente, desafiando narrativas tradicionais de Washington.


