A Polícia Federal (PF) indiciou o empresário Breno Chaves Pinto, segundo suplente do senador Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, por seu envolvimento em um esquema de direcionamento de licitações e fraudes em obras do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (DNIT) no Amapá. A conclusão do inquérito foi noticiada pelo jornal O Globo nesta quinta-feira, 23 de maio de 2026.
Segundo a PF, Chaves Pinto foi indiciado pelos crimes de associação criminosa, tráfico de influência e corrupção ativa. As investigações apontam que o empresário utilizava sua proximidade com o presidente do Senado para, a pretexto de influir em atos de agentes públicos, obter vantagens indevidas. Marcello Linhares, superintendente regional do DNIT no Amapá, também foi indiciado sob acusações de associação criminosa, violação de sigilo funcional e fraude à licitação.
Procurada pelo jornal, a defesa de Breno Chaves Pinto informou que só se manifestará após ter acesso ao relatório final da Polícia Federal. Por sua vez, o senador Davi Alcolumbre divulgou uma nota negando qualquer relação com as atividades empresariais de seu suplente. Marcello Linhares optou por não se manifestar sobre as acusações.
A operação que culminou nos indiciamentos foi deflagrada pela PF em julho de 2025, com o objetivo de apurar as fraudes no DNIT em Macapá. Os investigadores sustentam que Breno Pinto operava como “figura central no esquema criminoso”, agindo como “agente ativo de ingerência institucional” no órgão, valendo-se de sua influência política e da relação pessoal com o superintendente Linhares, conforme descrito por um juiz federal que autorizou buscas e apreensões no ano passado. Apesar do uso do nome do senador, a PF não encontrou participação direta de Alcolumbre nas irregularidades, mantendo o caso na Justiça Federal do Amapá.
Breno Chaves Pinto, de 39 anos, natural de Imperatriz (MA), concorreu pela primeira vez a um cargo eletivo em 2022. Naquele ano, declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mais de R$ 8,5 milhões em bens, sendo R$ 7,3 milhões referentes a participações societárias em três empresas. Além de empresário e político, Pinto é piloto de motovelocidade, tendo conquistado o título nacional na categoria GP 1000 Open em 2023.
A conexão entre Chaves Pinto e Alcolumbre já havia sido objeto de reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, que em 2022 revelou que o senador destinou R$ 9 milhões do então chamado “orçamento secreto” para uma obra no município de Santana (AP) executada por uma empreiteira ligada a Breno. A mesma construtora já havia sido investigada pela PF em 2022 por suspeita de superfaturamento em uma obra viária no Amapá, ocasião em que o suplente do senador foi alvo de busca e apreensão.


