Uma ocupação indígena em Sidrolândia (MS), ocorrida neste último fim de semana (13 e 14 de junho), escalou para um embate político com acusações diretas do deputado estadual Zeca do PT. O movimento, que reivindica o avanço de processos demarcatórios paralisados desde 2013, foi classificado pelo parlamentar como uma ação orquestrada por “indígenas de direita” com intenções de desgaste político contra o governo federal.
Segundo Zeca do PT, a liderança à frente da mobilização é um indivíduo identificado como Rodrigues, da Aldeia Buriti. “É um indígena de direita, que apoia Odilon, de Aquidauana, Viviane e Reinaldo. Portanto, começamos a entender que pode estar por trás uma tentativa de desgaste relacionado à vida do presidente Lula. É um ato vinculado aos indígenas de partido de direita”, declarou o deputado.
Diante da situação, o Partido dos Trabalhadores (PT) em Mato Grosso do Sul agendou para a tarde desta segunda-feira (15) uma reunião em Sidrolândia. O encontro visa tratar do assunto com lideranças indígenas vinculadas à sigla, buscando “esclarecer o assunto” e potencialmente alinhar narrativas frente às acusações.
O contexto da mobilização ganha relevância em meio à expectativa de uma nova agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado. A visita presidencial é aguardada para a entrega de 1.390 títulos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) a assentados em diversas cidades, incluindo Sidrolândia, Corumbá, Ponta Porã, Itaquiraí, Bataguassu e Rio Brilhante, reforçando a sensibilidade da pauta agrária na região.
A Polícia Militar informou ter atuado nas fazendas Água Clara e São Sebastião, onde a ocupação ocorreu, com o objetivo de “combater invasão”. Proprietários das áreas relataram às autoridades danos a maquinários, furtos, focos de incêndios e derrubada de árvores, indicando a natureza confrontacional da ação.
Em nota oficial, a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul) repudiou veementemente o ocorrido, classificando-o como “um ato criminoso”. A entidade afirmou que a Fazenda São Sebastião, de propriedade legítima, foi invadida e depredada por um “grupo criminoso formado por indígenas”. A Famasul detalhou que os invasores teriam ateado fogo, roubado maquinários, insumos agrícolas, cavalos e gados, além de queimar a sede e estruturas, causando “prejuízos incalculáveis”.
A Federação ressaltou que a propriedade em questão é alvo de um processo demarcatório que se arrasta há anos na Justiça. A nota da Famasul reforça a defesa do direito à propriedade privada, garantido pela Constituição, e clama por medidas firmes e efetivas da Justiça e autoridades competentes para investigar, identificar e responsabilizar os envolvidos, assegurando a segurança jurídica no campo e o ressarcimento das perdas.


