A Avance Construtora Ltda., empresa de Campo Grande, enfrenta um Inquérito Civil instaurado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) por suposta prática de crimes e infrações ambientais. A investigação foca na execução da obra do Aeródromo Municipal de Inocência, um contrato de R$ 15,4 milhões vencido pela construtora. A apuração ganha força com um relatório técnico independente e evidências de imagens de satélite que contradizem a defesa da empresa.
O inquérito foi aberto após comunicação da Polícia Militar Ambiental (PMA) de Cassilândia, que autuou a Avance por escoamento irregular de águas pluviais sem medidas de contenção, captação de água do Córrego Cassimira sem licença ambiental e consequente assoreamento do curso d’água. Embora a empresa tenha apresentado defesa, uma perícia técnica inicial realizada pela PMA já havia refutado seus argumentos, quesito a quesito.
Para aprofundar a investigação, o MPMS encomendou uma vistoria técnica independente à Secretaria de Desenvolvimento de Apoio às Atividades de Execução (DAEX). O relatório da DAEX, concluído em 21 de janeiro de 2026, foi categórico ao responder aos 12 quesitos formulados pelo promotor. A pergunta central sobre a existência do assoreamento do Córrego Cassimira antes das obras foi respondida com um “não” enfático.
O documento da DAEX identificou três pontos críticos de degradação ambiental: uma faixa de solo gradeado utilizada como servidão para rede elétrica, sem dispositivos de contenção de águas pluviais, implantada em declive em direção ao córrego; um ponto de captação de água com a margem revestida de manta asfáltica, o que impermeabilizou o solo e impediu a regeneração da vegetação ciliar; e um trecho a jusante da porção oeste da pista do aeródromo, onde se constatou direcionamento concentrado de enxurradas com arraste significativo de sedimentos em direção ao Córrego Cassimira.
A análise de imagens de satélite corroborou as descobertas da perícia. Registros de maio de 2020 e janeiro de 2024 – data do início das atividades para a construção do aeródromo – não mostravam nenhum dos pontos de degradação. Contudo, imagens referentes a novembro de 2025 já exibem claramente todos os sinais de impacto ambiental. “Não foram identificados, nas imagens anteriores às referidas intervenções, indícios relevantes de assoreamento no trecho vistoriado do córrego”, concluiu o relatório da DAEX.
As próprias imagens de satélite e drone apresentadas pela Avance Construtora, na tentativa de provar que o assoreamento era preexistente, foram consideradas inconclusivas pela DAEX, por abrangerem uma área mais ampla da microbacia, sem concentrar o foco nos pontos específicos de degradação. O contrato para a “implantação de PPD, taxiway, pátio e cerca operacional” do aeródromo foi firmado pela Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) e homologado em 14 de março de 2024. A investigação prossegue para determinar as responsabilidades e as medidas cabíveis diante dos danos ambientais constatados.


