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Sexta-feira, 19 Junho, 2026
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    PF deflagra nova operação contra suposta compra de votos na campanha da prefeita reeleita de Campo Grande

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    A Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira, 19 de junho de 2026, uma operação em Campo Grande (MS) para investigar um esquema de suposta compra de votos que teria beneficiado a campanha da prefeita reeleita Adriane Lopes (PP) e sua vice, Camila Nascimento (Avante). Embora a PF não tenha divulgado oficialmente os nomes dos alvos, a investigação apurou que a ação está diretamente ligada à chapa vencedora nas eleições municipais de 2024. Algumas pessoas envolvidas foram notificadas para prestar esclarecimentos.

    Esta nova frente de investigação surge em meio a um cenário já complexo para a gestão municipal. Em maio do ano passado, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE/MS) havia absolvido Adriane Lopes e Camila Nascimento em um processo que as acusava de abuso de poder, mantendo seus mandatos por cinco votos a dois. Contudo, a Procuradoria Regional Eleitoral em Mato Grosso do Sul (PRE/MS) interpôs um recurso especial eleitoral junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), alegando que a decisão do TRE/MS contraria o artigo 41-A da Lei nº 9.504/1997, que trata da captação ilícita de sufrágio.

    Fontes próximas à investigação indicam que a operação desta sexta-feira não se relaciona diretamente com o processo em trâmite no TSE, uma vez que a fase recursal em terceira instância não permite a produção de novas provas. Isso sugere que a Polícia Federal abriu uma nova linha de apuração, com foco em evidências e fatos ainda não analisados no âmbito do recurso especial. A PRE/MS, em seu recurso ao TSE, argumentou que os fatos apurados no processo anterior eram incontroversos e evidenciam a ciência da candidata beneficiária sobre os ilícitos.

    As denúncias que motivaram o recurso da PRE/MS, originalmente apresentadas pelo PDT e PSDC, apontavam para uma prática sistemática e estruturada de compra de votos, operacionalizada por líderes comunitários em reuniões eleitorais, com distribuição de material de campanha e realização de “adesivaços”. A Procuradoria alegou que valores para a compra de votos teriam sido arrecadados, distribuídos e transferidos por cabos eleitorais, membros do comitê de campanha e até mesmo servidores da Prefeitura lotados no gabinete da prefeita ou em cargos de segundo escalão. A acusação também mencionava a formação de uma rede de campanha em igrejas, com a cooptação de pastores evangélicos como cabos eleitorais, alguns inclusive incluídos na folha de pagamento da Prefeitura, subvertendo a liberdade de escolha dos eleitores e fragilizando os pilares democráticos, além da nomeação de líderes religiosos em cargos públicos com remunerações elevadas e a utilização de recursos estatais para angariar apoio político.

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