O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) em Mato Grosso do Sul segue firme na disputa por uma das cobiçadas oito vagas de deputado federal no pleito de 2026. Em meio a uma corrida eleitoral acirrada, a sigla tucana resistiu a manobras adversárias que provocaram a desistência de figuras importantes e agora aposta em uma estratégia centrada em vereadores para garantir a eleição de, ao menos, um representante na Câmara dos Deputados.
A chapa para a Câmara Federal do PSDB é composta por uma força-tarefa de lideranças municipais. Entre os nomes escalados, destacam-se cinco vereadores de diversas regiões do estado: Professor Juari e Victor Rocha, ambos da capital Campo Grande; Rogério Yuri, de Dourados; Puka Valdez, de Ponta Porã; Sirlene da Saúde, representante de Três Lagoas; e Ricardinho Fávaro, de Itaquiraí. Completam a lista a ex-secretária de Cidadania, Viviane Luiza; a vice-prefeita de Corumbá, Bia Cavassa; e o ex-secretário de Governo de Sidrolândia, Natalino Gonzaga.
A atual configuração da chapa tucana reflete um período de turbulência. O partido busca se reerguer após a perda de três deputados federais na janela partidária, ocorrida no início do ano. Beto Pereira, que anteriormente comandava a legenda, migrou para o Republicanos. Já Dagoberto Nogueira e Geraldo Resende, que eram figuras de peso, deixaram o PSDB na reta final da janela, filiando-se ao PP e União Brasil, respectivamente, em movimentos que enfraqueceram a bancada tucana.
Além das baixas por migração, a chapa do PSDB enfrentou a desistência de outros pré-candidatos de peso, como o ex-prefeito de Chapadão do Sul, João Carlos Krug; a primeira-dama de Ponta Porã, Paula Consalter; e Diogo Bossay, de Miranda. Lideranças do partido apontam que essas desistências foram, em parte, resultado de uma tentativa de boicote por parte de adversários. O receio é que a candidatura tucana possa desestabilizar os planos de outras siglas da coligação, que almejam eleger um número maior de deputados.
A preocupação dos partidos rivais tem fundamento em uma recente mudança na legislação eleitoral. A nova regra permite a eleição de deputados mesmo que a sigla não atinja 80% do quociente eleitoral, um facilitador para partidos menores conseguirem representação. Essa alteração aumenta as chances do PSDB eleger um federal, o que pode impactar diretamente as expectativas de coligações maiores, como PL e a federação União/PP, que projetam eleger mais de duas cadeiras.
Um cenário onde o PSDB consiga eleger um deputado federal dificultaria, por exemplo, a eleição de três representantes pela federação União/PP, que atualmente conta com a ex-deputada Rose Modesto e os atuais federais Dagoberto Nogueira, Geraldo Resende e Luiz Ovando (PP), todos com expectativas de grande votação. A eleição do tucano, nesse caso, poderia significar que um desses nomes de peso não conseguiria a reeleição, transformando a modesta, mas resiliente, chapa do PSDB em um fiel da balança na disputa por Brasília.


