A Polícia Federal deflagrou a Operação Suffragium nesta sexta-feira, 19 de junho de 2026, para aprofundar a investigação sobre um possível esquema de compra de votos na eleição para a Prefeitura de Campo Grande, em 2024. A ação mira a campanha do Partido Progressista (PP) que elegeu Adriane Lopes (PP) e Camilla Nascimento (Avante). A investigação divide o suposto esquema em quatro núcleos distintos.
Estrutura do Esquema
A apuração da Polícia Federal revelou uma organização em camadas para o alegado esquema. No topo da estrutura, identifica-se o núcleo de comando político, composto pelos beneficiários diretos da ação. Em um nível intermediário, atuaria o núcleo de coordenação institucional e financeira, integrando agentes públicos e particulares. Estes seriam responsáveis pelo gerenciamento e pela distribuição dos recursos envolvidos.
Na sequência, a investigação aponta para o núcleo de intermediadores operacionais. Este grupo seria formado por lideranças locais, cabos eleitorais e outros indivíduos encarregados da mobilização de eleitores, organização de reuniões, transporte de apoiadores, adesivagem de veículos e pulverização dos pagamentos. Na base da estrutura, estariam os destinatários finais das vantagens indevidas oferecidas em troca de apoio político e votos, ou seja, os eleitores.
Mandados e Irregularidades Financeiras
A operação cumpriu sete mandados de busca e apreensão. As ordens foram expedidas pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE/MS) e executadas em residências e estabelecimentos comerciais nas cidades de Campo Grande/MS e Taquarussu/MS.
A polícia informou que a investigação identificou elementos de movimentações financeiras atípicas. Estas incluem saques em espécie, transferências fracionadas via Pix e a utilização de contas de terceiros. Os recursos teriam circulado e sido distribuídos em datas próximas aos turnos eleitorais, possivelmente destinados à compra de votos.
Os investigados podem responder por crimes de corrupção eleitoral e falsidade ideológica eleitoral, popularmente conhecido como caixa dois. A Polícia Federal não divulgou os nomes dos envolvidos até o momento.


