O Partido Liberal (PL) de Mato Grosso do Sul enfrenta surpresa e incerteza após o presidente nacional da sigla, Valdemar da Costa Neto, anunciar Capitão Contar como o “candidato do PL” ao Senado. O comunicado, feito por vídeo, diverge da expectativa de um anúncio coordenado com apoio de Jair Bolsonaro a uma lista nacional de candidatos e ignora as lideranças locais do partido.
Histórico de Tensões e Antecipações
Esta não é a primeira vez que Valdemar da Costa Neto se antecipa nas decisões relativas a Mato Grosso do Sul. Em 2025, ele filiou Contar diretamente no diretório nacional, sem a presença do então governador Reinaldo Azambuja, e já o havia anunciado como pré-candidato do PL ao Senado. Esse movimento desconsiderou declarações de Azambuja, que negociava com Nelsinho Trad (PSD) e pré-candidatos do PP, afirmando que pesquisas definiriam os nomes.
Pouco tempo depois, Valdemar precisou recuar. Jair Bolsonaro divulgou uma carta em fevereiro de 2026, indicando Marcos Pollon como o escolhido para a vaga. Após a repercussão dessa confusão, Flávio Bolsonaro declarou, em visita a Mato Grosso do Sul, que pesquisas de opinião definiriam quem ocuparia a segunda vaga ao lado de Reinaldo Azambuja.
Novo Anúncio e Silêncio das Lideranças
Ontem, um dia após a reunião que resultou na saída de Michele Bolsonaro — principal apoiadora de Marcos Pollon — do PL Mulher, Valdemar gravou um novo vídeo. Nele, anunciou Contar novamente como “o escolhido”.
O vídeo causou surpresa e um silêncio generalizado entre as lideranças do PL de Mato Grosso do Sul. Elas não confirmaram se o anúncio tem caráter oficial ou representa apenas um desejo do presidente nacional. A reportagem questionou Reinaldo Azambuja sobre o vídeo, mas ele não confirmou a oficialidade do comunicado. Marcos Pollon, principal concorrente de Contar e divulgador da carta de Bolsonaro pelo estado, também manteve o silêncio. Em sua rede social, Pollon publicou apenas uma declaração de voto contra o que chamou de “PL da Misoginia”.
Temores e Acordo de 2024
Lideranças do PL temem anunciar Contar antes de um posicionamento de Jair Bolsonaro. O receio é de que o ex-presidente divulgue uma nova carta para Mato Grosso do Sul, comprometendo todo o arranjo político estabelecido desde a eleição municipal de 2024. Naquela ocasião, em troca de apoio a Beto Pereira para prefeito da Capital, Reinaldo Azambuja prometeu filiar-se ao PL, com a condição de apoio a Riedel e sua própria candidatura ao Senado.
Beto Pereira perdeu a eleição de 2024, mesmo com o apoio de Bolsonaro, e Reinaldo Azambuja teve de cumprir a promessa de filiação. No PL, Azambuja perdeu a autonomia que tinha no PSDB, passando a depender do diretório nacional e de Jair Bolsonaro, mesmo este estando em prisão.


