A Câmara Municipal de Terenos ainda não decidiu sobre a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar um esquema de corrupção na prefeitura. Os vereadores afirmam que a análise dos documentos da Operação Spotless, disponíveis desde fevereiro de 2026, segue em andamento.
O prefeito Henrique Budke, que foi preso, afastado e já retornou ao cargo, é um dos alvos da investigação. Apesar do retorno do chefe do Executivo, o Legislativo municipal continua avaliando a instauração da CPI.
A assessoria da Câmara informou não haver previsão para a conclusão dos trabalhos, nem definição sobre eventual prorrogação de prazo. Em abril de 2026, os parlamentares já haviam solicitado mais 60 dias para examinar as provas produzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
A justificativa da Câmara
Indagada sobre o andamento da análise, a Câmara reafirmou a não conclusão dos trabalhos, por meio de sua assessoria:
“Desde fevereiro de 2026 a análise dos documentos da Operação Spotless segue em andamento. Trata-se de um material extenso, com mais de 10 mil páginas, que está sendo analisado individualmente pelos vereadores, paralelamente às demais atividades legislativas. Além disso, diante dos fatos novos relacionados ao caso, a análise continua sendo conduzida com a cautela necessária.”
A assessoria complementou que uma manifestação oficial será comunicada “assim que houver um entendimento consolidado”.
Todos os vereadores têm acesso aos documentos em uma sala restrita. Apenas um parlamentar pode entrar por vez, sem qualquer equipamento eletrônico que permita registro (celular, câmera, filmadora e similares). Um funcionário da Câmara acompanha o vereador, responsável pela segurança do material e também seguindo a regra dos equipamentos eletrônicos.
O caso
Em janeiro de 2026, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) aceitou um pedido do Ministério Público Estadual (MPE) e encaminhou uma cópia da denúncia de escândalo de corrupção na Prefeitura de Terenos para a Câmara Municipal. O desembargador Jairo Roberto de Quadros autorizou o acesso dos vereadores às provas produzidas na investigação que prendeu e afastou o prefeito Henrique Budke (PSDB).
A investigação do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e do Gaeco denunciou a existência de uma organização criminosa no município de Terenos/MS. Esta organização, com núcleos de atuação definidos, era liderada por um agente político. O grupo atuava na prática de crimes contra a Administração Pública.
“A organização criminosa se valia de servidores públicos corrompidos para fraudar o caráter competitivo de licitações públicas, direcionando os respectivos certames para beneficiar empresas participantes do esquema delituoso, mediante a elaboração de editais moldados e por meio de simulação de competição”, detalha a denúncia.
Os alvos da operação monitorados por tornozeleira eletrônica são: prefeito, Henrique Wancura; Arnaldo Santiago, Cleberson José Chavoni Silva, Eduardo Schoier, Fábio André Hoffmeister Ramires, Fernando Seiji Alves Kurose, Genilton da Silva Moreira, Hander Luiz Correa Grote Chaves, Isaac Cardoso Bisneto, Leandro Cícero Almeida de Brito, Nadia Mendoça Lopes, Orlei Figueiredo Lopes, Sandro José Bortoloto, Sansão Inácio Rezende e Valdecir Batista Alves.


