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    Tempestade de neve ameaça os EUA no pior inverno em 40 anos

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    Onda de frio extremo provoca cancelamento de 6 mil voos e leva estados a decretarem emergência

    Uma grande tempestade de inverno ameaça cobrir boa parte dos Estados Unidos com uma perigosa mistura de chuva gelada e fortes nevadas, gerando condições “catastróficas” em áreas onde vivem cerca de 160 milhões de pessoas.

    Vários estados do país declararam estado de emergência diante desta onda ártica que, segundo as previsões, avança da costa da Califórnia por grande parte do território continental, cobrindo o centro do país, incluindo as Montanhas Rochosas e as Grandes Planícies.

    Ela pode provocar um “acúmulo catastrófico de gelo“, de acordo com o Serviço Nacional de Meteorologia (NWS, na sigla em inglês), e resultar em “apagões prolongados, danos extensos às árvores e condições de viagem extremamente perigosas ou intransitáveis”.

    Segundo o meteorologista Ryan Maue, “os próximos dez dias de inverno serão os piores em 40 anos nos Estados Unidos“. “Pensem para onde podem ir, o que podem fazer e quem precisa de ainda mais ajuda para sobreviver à próxima semana. Não é exagero nem brincadeira”, disse ele, que pediu que as pessoas se preparem para temperaturas inferiores a -18°C.

    Mais de 6 mil voos do fim de semana já foram cancelados, indica o rastreador FlightAware, incluindo muitos no Texas.

    Nesse estado do sul do país, muitos se lembram da calamidade causada por uma tempestade semelhante em fevereiro de 2021, com mais de 200 mortes relacionadas a hipotermia, intoxicação por inalação de monóxido de carbono e acidentes.

    As autoridades texanas prometeram que a rede elétrica, que falhou imensamente durante aquela tempestade há cinco anos e deixou milhões sem eletricidade, está preparada desta vez.

    O governador Greg Abbott disse que “não há nenhuma expectativa de que ocorra um corte de energia na rede elétrica”, que “é totalmente capaz de lidar com essa tempestade de inverno”.

    Após essa experiência, em Houston, a cidade mais populosa do estado, foram abertos 12 abrigos.

    “Haverá uma tempestade muito severa que poucos moradores em Houston já vivenciaram […] Provavelmente 48 horas de temperaturas congelantes”, disse nesta sexta-feira o prefeito da cidade, John Withmire, em coletiva de imprensa.

    Ele explicou que os abrigos estarão abertos para pessoas e animais de estimação, e que estão à procura de pessoas em situação de rua que dormem sob viadutos.

    Ademais, em meio às batidas severas contra imigrantes irregulares realizadas pela administração de Donald Trump, o prefeito esclareceu que, embora suas ações estejam em conformidade com a lei, as autoridades usam o bom senso.

    “Todos são bem-vindos em nossos abrigos, não perguntamos o status legal, isso não faz parte do nosso trabalho, somos compassivos”, declarou.

    Em vários supermercados de Houston, os bens de primeira necessidade estavam acabando rapidamente.

    “Desta vez tenho um gerador e estou pronto, tenho reserva suficiente, provisões, tudo. Não acho que será tão ruim quanto há cinco anos. Não pode ser”, afirmou Clinton Moore, de 63 anos, após se abastecer de água em um supermercado no norte da cidade.

    No estado de Nova York, a governadora Kathy Hochul alertou para o frio extremo, que poderia tornar perigoso até mesmo os pequenos trajetos ao ar livre.

    Hochul informou que o estado mobilizou milhares de trabalhadores de serviços públicos, máquinas de remoção de neve e equipes de emergência para manter as estradas liberadas, restabelecer o fornecimento de energia e proteger pessoas em risco.

    A ligação entre a mudança climática e as tempestades de inverno — nesse caso, quando o vórtice polar, normalmente confinado ao Polo Norte, se desloca para o sul — não é evidente à primeira vista.

    No entanto, pesquisadores apontam que o número dessas tempestades vem aumentando nos últimos 20 anos. Isso pode dever-se ao fato de o Ártico estar esquentando em um ritmo superior à média global, um aquecimento desigual que, segundo alguns cientistas, contribui para que o vórtice polar se estenda sobre a América do Norte.

    Especialistas, no entanto, alertam que não se deve tirar conclusões simplistas que vinculem diretamente esse fenômeno à mudança climática de origem humana.

    O presidente Donald Trump, cético em relação à ciência das mudanças climáticas, não perdeu a oportunidade de se pronunciar sobre o tema.

    “Espera-se uma onda de frio recorde atingindo 40 estados. Raramente se viu algo assim. Os insurgentes ambientais poderiam, por favor, explicar o que aconteceu com o aquecimento global?”, publicou o líder republicano em sua plataforma Truth Social.

    *Com informações da AFP

    Fonte: Jovem Pan News

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