Mato Grosso do Sul inicia em 2026 a implementação do programa Rodar MS, com o objetivo de baratear o transporte e reduzir em até 38% o custo com manutenção de estradas. O projeto prevê a renovação de aproximadamente mil quilômetros de vias, buscando também uma queda de até quatro vezes no valor dos custos operacionais para veículos de carga, beneficiando diretamente o setor privado e a população.
O estado concretiza a contratação de crédito junto ao Banco Mundial (BIRD) para o Rodar MS, que adota um modelo inovador conhecido como Crema (Contrato de Restauração e Manutenção de Rodovias). Os índices de economia e melhoria são balizados por estudos do próprio BIRD, que também consideram a segurança e o conforto para os usuários dos trechos incluídos.
O Modelo Crema em Detalhes
O secretário de Infraestrutura e Logística, Guilherme Alcântara, destaca as vantagens do modelo Crema: “A maior vantagem que Mato Grosso do Sul terá ao adotar o Crema é que a empresa contratada é quem irá executar o projeto executivo. Ela fecha o contrato através de um projeto básico e propõe o projeto executivo, que segue para aprovação da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos). Daí é que ela [a empresa] executa os primeiros dos anos de restauração da rodovia”.
Alcântara complementa a explicação, enfatizando o benefício central: “Quanto melhor for a restauração, menos custo terá para a manutenção. Daí a vantagem da empresa fazer um ótimo projeto e uma excelente execução”, conclui o titular da secretaria que tem em seu escopo a Agesul.
Investimento e Abrangência
O Rodar MS estima um investimento total de US$ 250 milhões, o que equivale a aproximadamente R$ 1,25 bilhão na cotação atual. Desse montante, US$ 200 milhões são provenientes do Banco Mundial, e os US$ 50 milhões restantes correspondem à contrapartida dos cofres estaduais.
O programa impactará diretamente e indiretamente 22 municípios. Desses, 18 estão localizados na região leste de Mato Grosso do Sul, que abrange o Vale do Ivinhema, e os quatro restantes no Bolsão, território do Vale da Celulose.
Modalidades do Rodar MS
Dentro do modelo Crema, Mato Grosso do Sul adota duas vertentes: o DBM (Design, Build, Maintain) e a Parceria Público-Privada (PPP). Na modalidade DBM, o Rodar MS abrange 730,3 km de vias, sendo 686,4 km de eixo principal e 43,8 km de travessia urbana. O contrato nesta modalidade terá duração de 10 anos, com contratação integrada de projeto, obra e manutenção. O pagamento pelo Estado será feito com base no cumprimento de indicadores de desempenho previamente estabelecidos, vinculando os repasses à qualidade das obras e não apenas à execução de serviços.
Para a região do Bolsão, que inclui os municípios de Água Clara, Inocência, Paranaíba e Três Lagoas, o modelo a ser implantado será o de PPP. Embora mantenha a mesma dinâmica do DBM em termos de gestão, a duração do contrato na PPP será significativamente maior, estendendo-se por 30 anos. Nesse período, a empresa responsável pelo serviço terá que manter as rodovias em boas condições.


