Moradores da zona rural de Miranda (MS) denunciam um cenário de “descaso” no transporte escolar que, em 25 de abril de 2026, continua a impactar gravemente a educação e a segurança de centenas de alunos, incluindo pelo menos quatro crianças com deficiência. Ônibus sucateados, atrasos prolongados e quebras frequentes têm resultado em perda de aulas, exaustão e riscos para os estudantes que dependem do serviço para chegar às escolas do município.
As queixas, levadas à reportagem por pais e responsáveis, detalham as condições precárias dos veículos. “Ônibus sucateados, colocando em risco a vida de crianças. Alunos perdendo aulas. Tem alunos laudados esperando por horas dentro desses ônibus. Enfim, Miranda passando por uma calamidade em todos os sentidos”, lamentou uma moradora que preferiu não se identificar, temendo retaliações. Os veículos, descritos como velhos, com pneus carecas, sem ar-condicionado e sem cintos de segurança, obrigam os alunos a acordar às 2h30 da manhã para uma jornada incerta e perigosa.
Joshi Jose Bento Barbosa, outra moradora, flagrou um dos ônibus quebrado no meio da estrada e relatou o impacto direto nas provas e no aprendizado. “Em 2026, duas vezes já estourou o pneu. Estragou três vezes o ônibus e deixaram os alunos no meio da BR esperando socorro”, protestou Joshi, questionando o Prefeito Fábio Florença e a Secretária de Educação sobre a coragem de submeter seus próprios filhos a tais condições. A exaustão das crianças ao chegar em casa, após horas de espera e trajetos tumultuados, compromete seriamente seu aproveitamento escolar.
Diante da gravidade da situação e da percepção de abandono, os pais já protocolaram denúncias formais junto ao Ministério Público Estadual, tanto em Miranda quanto em Campo Grande, buscando uma intervenção urgente. A reportagem tentou contato com o Prefeito Fábio Florença para obter um posicionamento sobre os questionamentos e as denúncias, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.


