O Senado Federal rejeitou, na noite da última quarta-feira, 29 de abril de 2026, a indicação de Jorge Messias, advogado-geral da União do governo Luiz Inácio Lula da Silva, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Com 34 votos a favor e 42 contra, a Casa Alta protagonizou um veto que não ocorria há 132 anos, desde 1894, configurando uma crise de grandes proporções para o Palácio do Planalto.
Em resposta à derrota, parlamentares bolsonaristas intensificam articulações com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para barrar eventuais outras indicações presidenciais ao posto até as eleições de outubro. Senadores consultados pelo Estadão revelaram ter solicitado a Alcolumbre que segure as nomeações pelos próximos seis meses, argumentando que qualquer novo nome precisará de um pacto com o Senado para evitar o mesmo destino de Messias.
Nesse cenário de impasse, o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSB-MG), emerge como o único nome de consenso dentro da Casa para ser aprovado, já contando com o aval de Alcolumbre. Pacheco, que migrou do PSD para o PSB no mês passado para se lançar pré-candidato ao governo de Minas Gerais com apoio de Lula, é visto como uma ponte. “Acho que o Pacheco teria evitado muitas resistências que tiveram agora nessa votação. Dificilmente haverá análise de um novo nome antes da eleição, a não ser o nome do Pacheco”, afirmou o senador Efraim Filho (PL-PB).
O desejo da oposição já havia sido manifestado durante a sabatina de Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), com senadores defendendo que a votação fosse adiada para depois da definição do futuro presidente do país em 2027. Os senadores Márcio Bittar (PL-AC) e Marcos Rogério (PL-RO) foram alguns dos que expressaram essa visão. “Esse não seria o momento adequado para fazer essa sabatina e essa votação. Daqui a pouco vêm as eleições gerais, e o brasileiro irá às urnas para definir o rumo político do País. Então o melhor seria não votar a indicação até que o povo decida o rumo que ele quer para o Brasil”, declarou Rogério na ocasião, ecoando uma tática semelhante à utilizada pelos republicanos americanos em 2016, que bloquearam a indicação de Merrick Garland por Barack Obama, permitindo que Donald Trump preenchesse a vaga.


