Centrais sindicais e movimentos sociais realizaram um protesto na Praça Roosevelt, em São Paulo, nesta sexta-feira (1º), exigindo o fim da escala 6×1 e a implementação de medidas de combate ao feminicídio no Brasil. A manifestação também direcionou críticas à atuação de parlamentares no Congresso Nacional, evidenciadas em camisetas e cartazes.
O professor da rede pública Marco Antônio Ferreira destacou a dificuldade em conscientizar as novas gerações sobre a importância das regras da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) frente ao avanço da “pejotização”, contratação de profissionais como Pessoa Jurídica (PJ). Ferreira ressaltou a necessidade de uma luta organizada para alertar sobre a construção de um cenário de trabalho menos vantajoso.
Contratos PJ podem resultar na perda de direitos como férias remuneradas, 13º salário e garantia de remuneração em casos de doença. Essa modalidade de contratação é comum entre Microempreendedores Individuais (MEI).
O Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) tem expandido sua atuação no país, enquanto setores empresariais se opõem a reduções de jornada e mudanças nas relações de trabalho. Em abril de 2026, o governo federal enviou ao Congresso um projeto de lei em regime de urgência, visando estabelecer a jornada semanal de 40 horas, sem redução salarial.
Ferreira argumentou que a escala 6×1 impede os trabalhadores de dedicarem tempo ao descanso, lazer e à participação em lutas coletivas por direitos, o que ele classificou como “desumano” e uma forma de desorganização e desumanização.
A pesquisa “O Trabalho no Brasil”, encomendada pela CUT e Fundação Perseu Abramo, indicou que 56% dos trabalhadores do setor privado sem carteira assinada já possuíam experiência anterior sob regime CLT e 59,1% declararam que voltariam a ter registro em carteira. A pesquisa Vox Populi revelou que 52,2% de pessoas fora do mercado de trabalho (mulheres em atividades de cuidado não remunerado e estudantes) gostariam de retornar, com 57,1% preferindo a modalidade CLT.
A pesquisa também identificou confusão entre os termos “empreendedor” e “trabalhador autônomo”, com muitos PJs se declarando empreendedores. A questão dos direitos das mulheres foi central no protesto, em virtude da alta incidência de feminicídios e violência de gênero. A pedagoga Silvana Santana sugeriu que a misoginia agravada pode ser explicada por meio de pensadores que denunciam o precarização do trabalho. O debate sobre a escala 6×1 e suas implicações para trabalhadores e empregadores segue em pauta no Congresso Nacional. Em paralelo, o governo federal tem lançado medidas para o mercado de trabalho, como o Desenrola Brasil.


