O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovou, por 13 votos a 4, o parecer do relator Moses Rodrigues, que recomenda a suspensão do mandato do deputado Marcos Pollon (PL). A decisão implica uma punição inicial de dois meses, podendo ser estendida por mais três, totalizando cinco meses de afastamento. A suspensão visa coibir a obstrução da mesa diretora e discursos considerados ofensivos.
A punição de dois meses também foi solicitada para os deputados Marcel van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC), por impedirem o acesso do presidente da mesa diretora, Hugo Motta (Republicanos-PB). No caso específico de Pollon, um afastamento adicional de três meses foi defendido pelo relator Ricardo Maia, devido a um discurso ofensivo proferido contra Motta durante uma agenda na Capital.
O relator do caso de Pollon destacou a necessidade de uma “reprimenda severa”, afirmando que “a Casa deve impor reprimenda severa, para que fique claro que este Parlamento não tolera o cometimento de infrações dessa natureza”.
Marcos Pollon declarou que o processo se trata de uma “perseguição aos parlamentares por defenderem a anistia aos presos políticos do 8 de janeiro”. Ele acrescentou: “Esse é o objetivo, impedir aqueles que não se dobram, que não se rendem, que não se vendem. Estamos sendo julgados porque nos levantamos por aqueles que não têm mais voz. Não teremos medo”.
Pollon ainda poderá recorrer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Se a CCJ mantiver a decisão, o caso será encaminhado ao plenário da Câmara, onde 257 dos 513 votos serão necessários para que o afastamento seja revertido. O contexto de tensões políticas e debates sobre anistia reflete o cenário atual em Brasília, com as Eleições 2026 se aproximando e debates sobre segurança e ordem pública em pauta.
A situação no conselho ético ocorre em meio a outros desdobramentos políticos, como a reunião entre Lula e Trump para discutir cooperação econômica e de segurança, e as movimentações em torno das candidaturas ao Senado em São Paulo.


