Os senadores Alessandro Vieira (MDB-SE) e Eduardo Girão (Novo-CE) solicitaram a suspeição do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), para analisar um mandado de segurança referente à instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master. A medida visa a redistribuição do caso devido à alegada “relação íntima e notória” do magistrado com o senador Ciro Nogueira (PP-PI).
Ciro Nogueira é um dos investigados na quinta fase da Operação Compliance Zero, que apura supostas fraudes envolvendo o Banco Master. De acordo com a decisão do STF que autorizou a ação, o senador teria favorecido o banqueiro Daniel Vorcaro em troca de “vantagens econômicas indevidas”. O senador Nogueira negou as acusações em fevereiro de 2026, declarando que sua relação com Vorcaro era comum a políticos e banqueiros em Brasília e que uma emenda apresentada sobre o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) corrigiria um problema antigo, sem beneficiar diretamente o Banco Master.
O requerimento para a criação da CPMI do Banco Master foi protocolado no Congresso Nacional em 3 de fevereiro de 2026, com a assinatura de 238 deputados e 42 senadores. O nome de Ciro Nogueira não consta na lista de apoiadores, segundo apuração. Para a instalação da comissão, é necessária a leitura do requerimento em sessão conjunta do Congresso pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Em razão da não instalação do colegiado, os senadores Eduardo Girão, Alessandro Vieira e Plínio Valério (PSDB-AM) apresentaram um mandado de segurança no STF. O Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master e do Will Bank, braço digital da instituição, em 18 de novembro de 2025, após identificar irregularidades financeiras e crise de liquidez. A Operação Compliance Zero acompanha o processo de liquidação.
A primeira fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada em 18 de novembro de 2025 para combater a emissão de títulos de crédito falsos. Daniel Vorcaro, o banqueiro, foi preso preventivamente para evitar fuga e posteriormente liberado com tornozeleira eletrônica, sendo detido novamente em 4 de março de 2026. As investigações apontam que o Banco Master oferecia Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade acima do mercado, assumindo riscos excessivos e inflando artificialmente seu balanço financeiro com a deterioração da liquidez.
Os casos do Banco Master e da gestora Reag, liquidada em 15 de janeiro de 2026, são considerados os mais graves do sistema financeiro brasileiro, envolvendo fraudes e tensões entre o STF, o Tribunal de Contas da União (TCU), o Banco Central e a Polícia Federal. O FGC iniciou o processo de ressarcimento aos credores do Banco Master, Banco Master de Investimento e Banco Letsbank em 17 de janeiro de 2026, com um valor total de R$ 40 milhões em garantias.
A PF, em sua 5ª fase da Operação Compliance Zero, mira o senador Ciro Nogueira como centro de um esquema de vantagens ilícitas. A investigação aponta para um esquema financeiro complexo. O senador Ciro Nogueira é alvo de investigação da PF por suposto esquema com o Banco Master. O caso se relaciona a tensões entre o Poder Judiciário e órgãos de controle.


