O desembargador Zaoar Murat Martins, da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, negou o pedido de habeas corpus ao ex-secretário de Infraestrutura e Serviços Públicos de Campo Grande, Rudi Fiorese. Fiorese permanece preso, detido na semana passada durante a Operação Buraco Sem Fim, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc).
O desembargador solicitou informações à juíza May Melke, responsável por autorizar as prisões. Após a análise desses dados, os três membros da 3ª Câmara Criminal avaliarão o caso de Fiorese.
Dos sete indivíduos inicialmente presos na operação, apenas Antônio Roberto Bittencourt obteve a liberdade provisória. A decisão judicial permitiu o uso de tornozeleira eletrônica, considerando sua idade, superior a 70 anos, e seu estado de saúde.
Além de Rudi Fiorese e Antônio Roberto Bittencourt, a operação resultou nas prisões de Edvaldo Aquino, coordenador do serviço de tapa-buraco; Mehdi Talayeh, superintendente da Sisep; os servidores Erick Antônio Valadão e Fernando de Souza Oliveira; e o empresário Antônio Bittencourt, filho de Antônio Roberto.
Detalhes da Operação Buraco Sem Fim
O Gaeco e o Gecoc cumpriram sete mandados de prisão preventiva e dez mandados de busca e apreensão. Durante as buscas, as autoridades encontraram altos valores em dinheiro vivo, totalizando R$ 429 mil. No endereço de um servidor, foram localizados R$ 186 mil em espécie. No imóvel de outro alvo, a quantia encontrada foi de R$ 233 mil.
O Ministério Público Estadual (MPE) investiga uma organização criminosa. A suspeita é de fraude sistemática na execução do serviço de manutenção de vias públicas no Município de Campo Grande. A manipulação de medições e a realização de pagamentos indevidos constituem o cerne da investigação.
Em nota, o MPE declarou: “As evidências revelaram pagamentos públicos que não correspondem aos serviços efetivamente prestados, com o propósito de permitir o desvio de dinheiro público, o enriquecimento ilícito dos investigados e, como consequência, a má qualidade das vias públicas municipais”.
As investigações apontam que, entre os anos de 2018 e 2025, a empresa sob apuração obteve contratos e aditivos que somam o montante de R$ 113.702.491,02.


