O ex-ministro e pré-candidato ao governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB), foi condenado nesta terça-feira, 19 de maio de 2026. A Justiça Eleitoral do Ceará o sentenciou por violência política de gênero contra a prefeita de Crateús, Janaína Farias (PT-CE). O caso remonta a 2024, quando Farias ocupava a cadeira de senadora suplente.
Ciro Gomes proferiu ofensas de cunho misógino em entrevistas. Ele se referiu à parlamentar como “cortesã” e utilizou termos desrespeitosos, desqualificando sua carreira política. O ex-ministro chegou a declarar que a prefeita era uma “assessora para assuntos de cama” e que ela “organizava as festas de Camilo Santana”, de quem era suplente na época.
A condenação inicial previa 1 ano e 4 meses de prisão. Contudo, devido a Ciro ser réu primário e possuir bons antecedentes, o juiz converteu a pena. Ele fixou o pagamento de 20 salários-mínimos de indenização à ex-senadora. Além disso, determinou 50 salários-mínimos para entidades de proteção dos direitos das mulheres no Ceará.
O juiz manteve medidas cautelares adicionais. Estas proíbem o réu de mencionar o nome da ex-senadora, direta ou indiretamente, em pronunciamentos ou redes sociais.
Defesa de Ciro Gomes Recorre
A assessoria de Ciro Gomes informou ao Estadão que o pré-candidato recorrerá da decisão. Ele manifestou a crença de que “as instâncias superiores saberão fazer justiça e analisar o caso fora do calendário de interesses eleitorais”. Em 2025, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDF) já havia condenado Gomes pelo mesmo caso. Este processo demonstra uma série de recursos e disputas legais envolvendo políticos no cenário nacional.
Janaína Farias Celebra Decisão e Doa Indenização
Em suas redes sociais, Janaína Farias celebrou a vitória na Justiça. Ela afirmou que doará integralmente o dinheiro da indenização para entidades ligadas à proteção dos direitos das mulheres. “Fui a vítima, assim como tantas mulheres neste país, e a decisão é um alento. Não podemos relativizar a misoginia jamais”, escreveu a prefeita. A repercussão deste caso destaca a importância do debate sobre violência de gênero na política, um tema que gera controvérsias e cobranças públicas.
Mobilização Institucional Contra as Ofensas
Na época das ofensas, em 2024, a Procuradoria Especial da Mulher do Senado emitiu uma nota de repúdio contra Ciro Gomes. A entidade classificou as falas como “uma das faces mais grotescas da violência contra a mulher”. No mesmo período, a bancada feminina do Senado, composta por 15 parlamentares, protocolou um voto de repúdio contra o político cearense.
O Partido dos Trabalhadores (PT), sigla da prefeita, também se mobilizou em seu apoio. A deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR), então presidente da legenda, reafirmou que o desrespeito brutal não impedirá que as mulheres ocupem espaços de poder. “Solidariedade à Janaína e a todas as mulheres que enfrentam o machismo e a misoginia na política e na vida”, declarou Gleisi. Esta situação ressalta os desafios enfrentados por pré-candidatos em meio a processos e controvérsias.


