A Justiça italiana liberou a ex-deputada federal Carla Zambelli nesta sexta-feira, 22 de maio de 2026. A Suprema Corte de Cassação da Itália anulou uma decisão anterior da Corte de Apelações que havia autorizado a extradição da ex-parlamentar para o Brasil. A determinação resultou em sua imediata soltura.
Zambelli manifestou sua alegria em um vídeo divulgado por seu advogado italiano, Pieremilio Sammarco. “Hoje, 22 de maio de 2026, dia de Santa Rita, a gente conseguiu. O Permillo conseguiu fazer o impossível, que era lutar contra um sistema gigantesco. Ele foi um grande leão em tudo isso. Esse é o primeiro vídeo que eu faço em liberdade. Em liberdade. Foi muito bonito”, declarou a ex-deputada.
Na gravação, Zambelli relatou ter sido aplaudida ao receber a notícia de sua liberação. “E, disse bem alto, dentro da prisão: cada um de vocês que creem em Deus, [ele] vai abençoar”, afirmou. Ela também adiantou que “continuará uma vida de missão” e fará anúncios “logo, logo” por meio de seus canais.
Próximos Passos e Histórico do Caso
O processo contra Zambelli segue agora para o Ministério da Justiça da Itália. O titular da pasta, Carlo Nordio, possui um prazo de 45 dias para emitir um parecer favorável ou contrário à extradição.
A ex-parlamentar foi presa preventivamente em julho de 2025 na Penitenciária de Rebibbia, em Roma. Sua prisão ocorreu após uma série de eventos que a levaram à Itália.
Em maio de 2025, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Carla Zambelli a 10 anos de prisão em regime inicialmente fechado. A condenação foi motivada pela invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). No mesmo mês, a ex-deputada deixou o Brasil, viajando de Buenos Aires, na Argentina, para a Flórida, nos Estados Unidos. Em junho, ela seguiu para a Itália, buscando proteção em virtude de sua cidadania italiana. Contudo, no mesmo dia de sua chegada ao país, a ex-parlamentar foi incluída na lista de difusão da Interpol.
Em agosto, o STF proferiu nova sentença contra Zambelli, condenando-a a cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. Esta condenação se referiu ao episódio em que a ex-deputada federal perseguiu um homem à mão armada pelas ruas de São Paulo, às vésperas das eleições de 2022.
Em dezembro, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou a revogação da decisão da Câmara dos Deputados que mantinha o mandato de Carla Zambelli. Dias depois, a ex-deputada federal renunciou ao cargo, um contexto que evoca outras situações envolvendo políticos e o judiciário, como o caso de Mario Frias, que viajou ao exterior sem aval da Câmara. Tais decisões judiciais também se alinham a debates mais amplos sobre a elegibilidade e a Lei da Ficha Limpa.


