Liberdade Condicionada
A Justiça de Campo Grande concedeu liberdade a cinco investigados da Operação Buraco Sem Fim. O juiz Waldir Peixoto Barbosa, da 5ª Vara Criminal, assinou a decisão na quinta-feira, 6 de junho de 2026, um dia antes de os réus completarem um mês de prisão. A operação investiga um esquema de corrupção na Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) da capital.
Os beneficiados pela medida são o ex-secretário Rudi Fiorese, o engenheiro e supervisor Mehdi Talayeh, Erik Antônio Valadão Ferreira De Paula, Fernando de Souza Oliveira e Antônio Bitencourt. Edvaldo Aquino também obteve liberação em decisão anterior, e Antônio Roberto Bittencourt foi solto com uso de tornozeleira eletrônica, devido a sua idade (mais de 70 anos) e estado de saúde.
Em sua decisão, o juiz Waldir Peixoto Barbosa afirmou não existir risco concreto que justificasse a manutenção da prisão preventiva. Ele destacou que a custódia não pode ser prolongada apenas pela gravidade da imputação, pela reprovação social do fato ou pelo desejo de transmitir uma mensagem institucional de rigor.
“É indiscutível que a prisão preventiva foi necessária em momento anterior, quando a investigação ainda demandava medidas invasivas, preservação de elementos informativos e execução coordenada de providências cautelares. Todavia, reconhecer a legitimidade inicial da prisão não significa autorizá-la a acompanhar automaticamente toda a instrução criminal. A manutenção da custódia durante todo o processo, apenas pela gravidade dos fatos imputados, ou por mera presunção de periculosidade, equivaleria a transformar medida cautelar em pena antecipada”, declarou o magistrado.
A liberdade foi concedida sob as seguintes condições:
- I) Monitoramento eletrônico por 180 (cento e oitenta) dias;
- II) Obrigação de manter endereço residencial e número de telefone celular atualizados perante o Juízo, com comunicação de qualquer alteração em até 48 (quarenta e oito) horas;
- III) Comparecimento a todos os atos processuais para os quais forem intimados, sob pena de restabelecimento da prisão preventiva.
Detalhes da Operação Buraco Sem Fim
A Operação Buraco Sem Fim, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), cumpriu sete mandados de prisão preventiva e 10 mandados de busca e apreensão. Durante as buscas, as autoridades encontraram valores significativos em dinheiro vivo, totalizando R$ 429 mil. Em um dos endereços de servidor, foram apreendidos R$ 186 mil em espécie, e no imóvel de outro alvo, R$ 233 mil.
O Ministério Público Estadual (MPE) investiga uma organização criminosa que, segundo as apurações, fraudava sistematicamente a execução de serviços de manutenção de vias públicas em Campo Grande. O esquema envolvia a manipulação de medições e a realização de pagamentos indevidos.
“As evidências revelaram pagamentos públicos que não correspondem aos serviços efetivamente prestados, com o propósito de permitir o desvio de dinheiro público, o enriquecimento ilícito dos investigados e, como consequência, a má qualidade das vias públicas municipais”, informou o MPE em nota. A investigação aponta que, entre 2018 e 2025, a empresa envolvida obteve contratos e aditivos que somam R$ 113.702.491,02. O caso segue em apuração, com os réus respondendo à ação de improbidade administrativa e outras possíveis acusações.


