O Partido Liberal (PL) de Mato Grosso do Sul navega por um terreno minado na definição de seu segundo pré-candidato ao Senado para as eleições de 2026. Com uma vaga já assegurada por Reinaldo Azambuja, presidente estadual da sigla, o desafio agora é minimizar o impacto da escolha entre Capitão Contar e Marcos Pollon, ambos membros do partido e indicados por Jair Bolsonaro, que se recusam a abrir mão da disputa majoritária.
A intransigência de Contar e Pollon, que não cogitam concorrer a uma cadeira na Câmara dos Deputados, cria um grave problema para a estratégia do PL. O partido esperava que o nome preterido ao Senado pudesse fortalecer a chapa federal, que, sem eles, dependerá de puxadores de voto como a deputada estadual Mara Caseiro, o deputado federal Rodolfo Nogueira e o ex-deputado Edson Giroto. A projeção atual indica que, sem um dos nomes fortes, será difícil alcançar a ambiciosa meta de eleger três deputados federais, correndo o risco de garantir apenas duas cadeiras.
O cenário para 2026 é ainda mais complexo devido às recentes mudanças na legislação eleitoral. As novas regras eliminam a necessidade de um partido atingir 80% do quociente eleitoral para assegurar uma vaga, o que beneficia legendas menores e acirra a disputa. Essa alteração torna a meta de três cadeiras federais, almejada pelo PL e também pela Federação União/PP, consideravelmente mais difícil de ser alcançada em comparação com pleitos anteriores, como o de 2022, quando o quociente partidário foi de 175.809 votos.
A concorrência se intensifica com outros partidos que também buscam ampliar suas bancadas. O PSDB, por exemplo, apesar de ter perdido três deputados federais na janela partidária, montou uma chapa com expectativas de eleger ao menos um representante. Republicanos e PT, que visam eleger dois federais cada, completam o quadro de partidos que, caso atinjam suas metas, reduzirão as chances de PL e União Progressista de concretizarem suas ambiciosas projeções.
O impacto das novas regras e da disputa interna é igualmente preocupante para a Federação União Progressista. A chapa, que conta com nomes de peso como a ex-governadora Rose Modesto (União) e os deputados federais Geraldo Resende (União), Dagoberto Nogueira (PP) e Luiz Ovando (PP), enfrenta o risco de ver dois de seus atuais parlamentares ficarem sem mandato, evidenciando a complexidade do pleito que se aproxima em Mato Grosso do Sul.


