O prefeito de Terenos, Henrique Budke (PSDB), reassumiu o comando do município nesta segunda-feira, 29 de junho de 2026, após um afastamento judicial de oito meses. A decisão, proferida pelo ministro Ribeiro Dantas do Superior Tribunal de Justiça (STJ), permite o retorno do chefe do executivo municipal, mas mantém a imposição do uso de tornozeleira eletrônica e severas restrições de contato e contratação.
Como primeira medida ao retornar, Budke determinou o fechamento da prefeitura por três dias — esta segunda, terça e quarta-feira. Durante este período, apenas os setores de Recursos Humanos e Financeiro funcionarão, com o atendimento ao público previsto para ser retomado na próxima quinta-feira.
A expectativa no cenário político local é de que o retorno do prefeito seja marcado por uma reestruturação na equipe. Nomes como os titulares das pastas de Saúde e o Procurador do Município, indicados durante a gestão interina do vice-prefeito Dr. Arlindo, são apontados como prováveis alvos de corte.
Em um movimento antecipado ao retorno de Budke, o vice-prefeito Dr. Arlindo encerrou unilateralmente, na última quinta-feira, os contratos com a Bonanza Comércio e Serviços Ltda e a HG Empreiteira & Negócios Ltda – ambas empresas sob investigação na Operação Spotless.
A decisão do ministro Ribeiro Dantas, que autorizou a volta de Budke, considerou excessivo o período de afastamento cautelar imposto. Contudo, as medidas restritivas foram mantidas, proibindo o prefeito de ter contato com outros investigados e de firmar contratos ou participar de licitações com empresas ligadas ao esquema desvendado pela operação.
A Operação Spotless, deflagrada em setembro de 2025 pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), resultou no cumprimento de 16 mandados de prisão preventiva e 59 de busca e apreensão. Na ocasião, o próprio prefeito Henrique Budke foi detido.
Segundo o Gaeco, a investigação desvendou a existência de uma organização criminosa em Terenos/MS, dedicada a crimes contra a Administração Pública. O esquema, liderado por um agente político, envolvia a fraude em licitações públicas, direcionando certames para empresas parceiras por meio de editais manipulados e simulação de concorrência.
Os contratos fraudulentos, que superaram R$ 15 milhões apenas no último ano antes da operação, também incluíam o pagamento de propina a servidores. Estes agentes, por sua vez, atestavam falsamente o recebimento de produtos e serviços, além de agilizar pagamentos de notas fiscais. Provas extraídas de celulares apreendidos na Operação Velatus, compartilhadas judicialmente, foram cruciais para desvendar o modus operandi da quadrilha.


