O ministro Ribeiro Dantas, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), autorizou o retorno do vereador Arnaldo Godoy Cardoso Glagau ao seu mandato na Câmara de Terenos, Mato Grosso do Sul. O parlamentar estava afastado do cargo desde novembro de 2025, após ser alvo de uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) que investiga crimes contra a Administração Pública.
A decisão judicial impõe a Arnaldo Godoy Cardoso Glagau o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica. Além disso, o vereador fica proibido de se comunicar com outros denunciados e testemunhas envolvidas no processo. Ele também não pode participar de licitações ou contratos com o Poder Público, seja pessoalmente ou por meio de empresas, e está vedado de exercer qualquer atividade parlamentar relacionada a licitações e contratos que são objeto da ação penal.
O retorno do vereador de primeiro mandato ocorre dias após o prefeito de Terenos, Henrique Wancura Budke, também afastado e preso na mesma operação, receber autorização para reassumir o cargo, igualmente sob monitoramento eletrônico. O prefeito de Terenos retornou à função após oito meses de afastamento judicial.
Investigação do Gaeco e Operação Velatus
Arnaldo Godoy Cardoso Glagau estava entre as 59 pessoas investigadas na operação do Gaeco. Policiais realizaram buscas em sua residência e na empresa AGPower Engenharia e Construções LTDA. A operação cumpriu 59 mandados de busca e 16 de prisão, incluindo a detenção do prefeito Henrique Wancura Budke, que foi liberado dias depois.
Segundo o Gaeco, a investigação revelou a existência de uma organização criminosa em Terenos/MS. Esta organização, com núcleos de atuação definidos, era supostamente liderada por um agente político e focava em crimes contra a Administração Pública. Ações semelhantes de investigação sobre repasses e contratos públicos ocorrem em outras cidades de MS.
O Gaeco detalhou o esquema em nota: “A organização criminosa se valia de servidores públicos corrompidos para fraudar o caráter competitivo de licitações públicas, direcionando os respectivos certames para beneficiar empresas participantes do esquema delituoso, mediante a elaboração de editais moldados e por meio de simulação de competição legítima, em contratos que, somente no último ano, ultrapassaram a casa dos R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais)”. O “último ano” refere-se a 2025, período anterior ao afastamento do vereador e prefeito.
As investigações apontam que o esquema envolvia pagamentos de propina a agentes públicos. Estes atestavam falsamente o recebimento de produtos e serviços, além de agilizar trâmites administrativos para pagamentos de notas fiscais de contratos entre empresários e o poder público. A Operação Velatus utilizou provas extraídas de telefones celulares apreendidos, com autorização judicial, para desvendar o modus operandi da organização e identificar seu líder.


